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Correio da Manhã

Opinião
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28 de Janeiro de 2007 às 00:00
Com o mês de Janeiro já decidido a favor da TVI, a única luta que por agora pode interessar é a que a RTP e SIC ainda travam pela conquista do segundo lugar. É já impossível neste momento não reconhecer a extraordinária ‘performance’ da estação pública – que mostra cada vez mais os dentes aos adversários na contagem do ‘share’ e não deixa, nem por um dia, de oferecer uma programação ao nível do melhor serviço público de televisão que se faz na Europa.
Com ‘Prós e Contras’, mas também com a ‘Grande Entrevista’, de Judite de Sousa, ou com o ‘Debate da Nação’ (apenas exemplos do horário nobre, atenção) a RTP, sem ter pensado muito nisso, corre o sério risco de, um dia (ou um mês) destes, ser a televisão mais vista pelos portugueses.
O ‘Telejornal’ já é, em muitos dias, o programa líder – tendo em 2007 ganho praticamente todas as disputas com ‘Jornal da Noite’ (SIC) e ‘Jornal Nacional’ (TVI). Ou seja, a Informação da RTP acumula referência e preferência. Ainda assim, é muito provável, apesar da derrota informativa, que seja a SIC a terminar Janeiro no segundo lugar.
Está em vantagem neste momento e faltam apenas quatro dias. Três décimas a tão pouco tempo do final é uma margem que, sem oferecer toda a segurança, é ainda assim bastante confortável.
Porém, que ninguém se espante se, já em Fevereiro, a televisão pública conseguir mesmo terminar em primeiro. Basta para isso que alguns dos seus programas-âncora nos períodos da manhã e da tarde (‘Praça da Alegria’, ‘Os Ricos Também Choram’ ou ‘Preço Certo’) mantenham os valores que apresentaram nesta última semana. Não é preciso muito mais, porque o resto fica por conta do futebol que a RTP irá ter no próximo mês: Taça de Portugal, selecção nacional (o tão esperado Portugal-Brasil) e ainda Liga dos Campeões (o especialíssimo duelo entre o FC Porto e o Chelsea, de José Mourinho).
É certo que a SIC já assegurou um dos jogos do Benfica na Taça UEFA e até é provável que a TVI fique com o outro. Chegará? É que o equilíbrio entre as três estações é tão grande que apenas um jogo de futebol a mais (dos bons) pode fazer toda a diferença...
Não é por ter futebol que se deixa de ter uma programação de grande qualidade. Mas é por ter futebol que, se calhar, a RTP tem possibilidades reais de voltar no próximo mês a ser líder de mercado. Muito tempo depois. E com os 50 anos à vista. Tinha graça.
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