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Correio da Manhã

Opinião
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16 de Setembro de 2003 às 00:00
1­ O Marítimo domina o campeonato com a excitante média de um golo por jogo. É um líder pobre para um campeonato pobre. Mas como no futebol não há nota artística, o que interessa são os pontos e o resto é conversa. Manuel Cajuda é uma raposa velha e conhece as regras de trás para a frente. Ele não vai fazer na Madeira o que Jaime Pacheco fez no Boavista. Isso não lhe está no sangue. Basta-lhe tentar qualificar a equipa para as competições europeias e, nesse sentido, este fôlego inicial pode revelar-se importantíssimo. Desiludam-se, portanto, amantes do bom jogo: não vamos ter um Marítimo a galope; nem sequer um Marítimo episodicamente trepidante. Apenas uma equipa com um ataque irregular e perigoso, um meio-campo lutador e uma defesa que aparenta mais fraquezas do que virtudes – apesar de ainda não ter sofrido qualquer golo. Aqui não cheira a surpresa.
2 ­ O FC Porto tremeu em Leiria e beneficiou da expulsão ridícula de Maciel aos 60 minutos para compensar a evidente falta de futebol. Dito isto, convém acrescentar três notas. Primeira: se o Benfica ou o Sporting fossem obrigados a deixar no banco a alma-suprema da equipa (Deco), o melhor avançado (McCarthy), além de dois jogadores essenciais do meio-campo (Costinha e Alenitchev), não o disfarçariam tão bem como os portistas – era derrota certa. Segunda nota: a União de Leiria dominou partes importantes do jogo, voltou a revelar bom futebol, tem um treinador inteligente, mas as limitações na defesa comprometem tudo. Terceira nota: depois do empate com o Estrela da Amadora, a equipa de José Mourinho voltou a exibir dificuldades fora das Antas. Haverá aqui um padrão a explorar pelos adversários? Parece que sim, mas na próxima jornada é o Benfica quem vai às Antas. Está tudo dito.
3 ­ O Benfica. Desta vez o treinador do FC Porto não tem nenhuma factura a cobrar, a não ser que o Partizan nos surpreenda a todos. Mesmo assim, é grande a distância entre benfiquistas e portistas. Sofrer dois golos nos instantes finais de um jogo revela a insuficiência da equipa. Parece o Sporting nas competições europeias: nenhuma vantagem é suficientemente tranquilizadora, porque os jogadores ameaçam dissolver-se a qualquer instante.
4 ­ O Sporting ganhou e bem. Parabéns a Fernando Santos que excluiu da equipa a guarda pretoriana – Paulo Bento, Rui Bento e Sá Pinto – e romoveu Custódio.
5 ­ Últimas notas. Facto inegável: o V. Guimarães vai na terceira derrota consecutiva e a culpa não é só dos árbitros. Facto interessante: quatro equipas venceram fora; é um sinal claro de competitividade. Facto escandaloso: o Benfica sofreu dois golos com quatro centrais e dois laterais em campo.
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