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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Lucros fabulosos da guerra no BCP

Não se sabe quem ganhará a guerra, mas todos os accionistas já ganharam cerca de 50% com os títulos

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 1 de Julho de 2007 às 00:00
Há uma guerra aberta e declarada entre accionistas do BCP. Quando Jardim Gonçalves retirou as propostas polémicas na última assembleia geral sobre o reforço da blindagem e o seu papel enquanto presidente do conselho de supervisão não conseguiu tréguas. Agora os seus adversários juntam-se e, tal como no filme dos sete samurais, os sete milionários que lideram a contestação ao histórico fundador do maior banco português atacam, apresentando propostas para a próxima reunião magna que, a serem aprovadas, significarão uma verdadeira revolução.
A extinção do conselho de supervisão significa a tentativa de tirar do poder do banco a tutela de Jorge Jardim Gonçalves. O aligeiramento da blindagem e a diminuição do salário dos administradores, os mais bem pagos em Portugal, são outras propostas deste grupo que conta com o inevitável Joe Berardo e com novos aliados de peso como João Pereira Coutinho, Filipe de Botton, Diogo Vaz Guedes, Bernardo Moniz da Maia, Vasco Pessanha e Manuel Fino, ilustres figuras que representam uma quota assinalável do PIB português.
Não se sabe quem ganhará a guerra, mas entretanto todos os accionistas já ganharam cerca de 50% com a valorização dos títulos, desde 1 de Janeiro. Cada um dos sete samurais já ganhou milhões. O banco é mesmo a instituição financeira europeia que mais se valorizou este ano, ganhando mais de cinco mil milhões de euros.
ANTI-JARDIM
Quando em meados de 80 Américo Amorim convidou o engenheiro que liderava o então BPA, o segundo maior banco do Estado, o banqueiro que Mário Soares tinha ido buscar a Espanha, onde se refugiara para evitar os contratempos do PREC de 1974 e 1975, não se mostrou particularmente entusiasmado com o projecto de liderar um novo e pequeno banco. Mas depois da insistência do rei da cortiça, Jardim acabou por aceitar o desafio e lançou um dos primeiros bancos comerciais privados.
Com muitos dos quadros que recrutou no BPA e outros que se juntaram construiu um núcleo coeso de um banco inovador e agressivo, que rapidamente conquistou mercado e que depois se tornou capaz de comprar outras instituições, para se transformar no maior banco português. E com este núcleo uma boa relação com os parceiros internacionais, Jardim criou um banco onde, apesar de haver accionistas, ele era o verdadeiro patrão.
O próprio Amorim sai nos primeiros anos da década de 90 em conflito com o engenheiro, um líder carismático, duro e corajoso, como já revelara na guerra colonial onde enfrentou um dos teatros mais difíceis do conflito, em Angola. Mesmo com o crescimento com as aquisições, Jardim conseguiu impor uma cultura única de direcção do banco. Entretanto as coisas mudaram. Jardim saiu da liderança executiva e ficou no conselho superior e de supervisão. Paulo Teixeira Pinto, o delfim que escolheu, já mostrou que agora é o presidente do conselho de administração. O BCP já foi o banco de Jardim. Resta saber o que será no futuro.
ONDE FICA MALTA?
O 19.º país europeu em riqueza por habitante inicia hoje a presidência da UE. O Eurostat acaba de revelar que fomos ultrapassados por Malta no ranking do PIB (Produto Interno Bruto) por habitante. Já estamos habituados: gregos, eslovenos, cipriotas e checos fizeram o mesmo. Qualquer dia será a vez de polacos, húngaros e bálticos conseguirem idêntico feito. E o pior é que ninguém parece realmente muito preocupado com isso.
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