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Correio da Manhã

Opinião
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31 de Dezembro de 2005 às 00:00
Portugal desenvolveu com o Brasil, a sua maior colónia, depois parte do Reino, um relacionamento singular, sem precedente ou paralelo com o que desenvolveram as outras potências europeias com as suas colónias nas Américas, África e Ásia.
É tão único e expressivo o relacionamento luso-brasileiro que podemos enumerar 12 circunstâncias e situações que marcaram a sua originalidade. A saber:
A Corte Portuguesa emigrou para o Brasil e aí governou para Portugal, Brasil e o mundo português. Nenhuma corte de outro país europeu migrou para o território de uma colónia; Uma Rainha de Portugal (D. Maria I) morreu no Brasil; Um Rei de Portugal, D. Pedro IV (Ou D. Pedro I do Brasil), nasceu no Brasil; Uma Rainha de Portugal, D. Maria II, nasceu no Brasil; Um Príncipe português proclamou a Independência do Brasil.
Um Príncipe português (D. Pedro) foi Imperador do Brasil; Um Imperador brasileiro (D. Pedro II) reinou, durante 13 anos, enquanto a irmã (D. Maria II), de pai e mãe, reinava em Portugal; Um Príncipe português (João) foi coroado Rei de Portugal (D. João VI), no Brasil; Um Rei de Portugal (D. João VI) jurou no Brasil as bases de uma Constituição que estava ainda em discussão em Portugal (Constituição Vintista).
Um Imperador do Brasil (D. Pedro I) outorgou uma Carta Constitucional elaborada no Brasil, para Portugal, possivelmente redigida por um brasileiro; Um Rei de Portugal (D. João VI) teve o título de Imperador do Brasil, de acordo com o Tratado de Reconhecimento de Independência do Brasil; Um Rei de Portugal (D. Pedro IV) teve os seus restos mortais trasladados para o Brasil.
A singularidade do relacionamento luso-brasileiro, de que os 12 pontos acima enunciados dão testemunho, não ocorre apenas ao alto nível das figuras de Corte e de Governo. O relacionamento insinua-se e intromete-se em todos os níveis de camadas populares. É profundo, deixa raízes em ‘camadas tectónicas’ da convivência.
Um dos mais extraordinários exemplos da luso-brasilidade é representado por José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil.
Bonifácio, nascido em Santos, em 1763, com 20 anos foi estudar para Coimbra, onde se formou, em 1787, em Leis e Filosofia, ingressando na Academia Real das Ciências de Lisboa.
Era cientista, mineralogista. jurista, filósofo, homem de pensamento e de acção. Dos 75 anos de existência, viveu quase metade da sua vida, 36 anos, em Portugal.
Em 1819 regressou ao Brasil e foi chamado pelo Príncipe D. Pedro, que até então não conhecia pessoalmente, para a grande tarefa que veio a desembocar na Independência, do qual o singular luso-brasileiro veio a ser o grande Patriarca.
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