Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
7
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Madeleine

Portugal não tem uma história criminal de raptos. A maioria dos casos prende-se com desavenças familiares.

Francisco Moita Flores 6 de Maio de 2007 às 09:00
País segue angustiado a história da pequena Madeleine. Sobretudo desde que se soube que não se tratava de um desaparecimento de casa por mera desorientação. As informações da polícia confirmando que se trata de um rapto deram uma dimensão dramática ao caso que a visibilidade das notícias ainda mais empolou. Ainda bem que a Comunicação Social deu sequência ao episódio. A repetição da notícia e da fotografia da pequena Madeleine pode ser um decisivo contributo para que alguém forneça informações que conduzam à solução deste drama.
Por outro lado, deve dizer-se que Portugal não tem uma história criminal de raptos. A esmagadora maioria dos casos relatados às autoridades prende-se com desavenças familiares, litígios conjugais com disputa de filhos menores, acolhidos pelas estatísticas como crimes de rapto. Bem diferentes daquele que prende a atenção do País. Pelo menos, que se saiba, o eventual raptor não tem qualquer ligação afectiva com a vítima. Casos destes, como se disse, são raros em Portugal. Há várias situações, que nos últimos dez anos não chegarão aos dedos de uma mão, onde as maternidades foram o território privilegiado para o cometimento do crime. Existem ainda menos casos onde o objectivo foi extorquir dinheiro a familiares da vítima dando como contrapartida a liberdade ao raptado.
Seja como for, é um dos crimes mais temíveis nas sociedades contemporâneas e em alguns países. Sobretudo no continente americano, onde uma verdadeira obsessão securitária preenche o quotidiano das grandes cidades, onde raptos são práticas vulgares. E torna-se ainda mais temível quando as vítimas são crianças. Como foi o caso ocorrido em Lagos com esta menina inglesa.
Percebe-se o transtorno dos pais. E nem as autoridades policiais nem a população lhes têm recusado solidariedade activa, ajudando nas buscas, incansáveis nos esforços para encontrar sinais que levem à descoberta da pequena Madeleine. Mas as condições do seu desaparecimento são, por outro lado, uma lição de prevenção para outros pais que desde o conhecimento dos factos, de alguma forma, sentiram inquietação pelos seus próprios filhos. É que a ser verdade o noticiado, que os pais terão deixado os filhos em casa sem guarda durante cerca de três horas, estamos perante um comportamento de alto de risco cujos efeitos podem ser, como se viu, devastadores.
Esta afirmação não pretende ser uma censura a quem neste momento tanto deve estar a sofrer e com múltiplos sentimentos de culpabilização. É, antes de mais, uma prevenção a todos os pais. As crianças são cada vez um bem mais escasso e objecto de cuidados especiais. É preciso que o controlo familiar, ou de quem é responsável pela sua educação, não seja descurado a pretexto de qualquer motivo. Agora foi um rapto, noutra vez pode ser um desaparecimento ou um acidente.
Oxalá Madeleine regresse depressa para junto dos seus.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)