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Correio da Manhã

Opinião
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10 de Abril de 2009 às 00:00

Esta constatação é consensual entre a generalidade dos economistas. Existe em Portugal um desajustamento estrutural entre a oferta e a procura, que tem sido compensado ao longo de décadas com o agravamento dos desequilíbrios externos.

O momento de mudança vertiginosa que está a ocorrer na economia mundial é um tempo oportuno para acertarmos o passo. Mas aqui, na forma de acertar o passo, já o consenso entre os economistas não é tão grande. Torna-se nítida a fractura de valores entre os que assumem uma forte sensibilidade social na sua análise e os que se limitam a escolher o caminho tecnicamente mais fácil, sem cuidar dos impactos sociais da receita.

O caminho mais fácil para ajustar procura e oferta é reduzir o rendimento disponível e baixar os salários reais. Com isso as exportações tornam-se mais competitivas e as pessoas, tendo menos dinheiro, consomem menos bens importados.

A economia alinha por baixo. Os indicadores macroeconómicos serão mais saudáveis mas as pessoas viverão pior. Não é esse o modelo que defendo.

O caminho correcto é prosseguir a capacitação do potencial produtivo do País, apostando no aumento da qualidade e da quantidade da oferta quer para o mercado interno, quer para o mercado externo.

Isso consegue-se valorizando empresas e sectores com capacidade inovadora e modelos organizativos mais eficientes, como é o caso dos recentemente reconhecidos ‘clusters’ e pólos de competitividade.

Alinhar a economia por cima é uma ambição legítima e que os sinais encorajam.

Portugal está a melhorar fortemente o seu repositório de competências e de serviços. A solução é produzir cada vez mais e melhor. Aumentar a produtividade para impulsionar o crescimento potencial, a criação de riqueza e o emprego. Dos fracos não reza a História.

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