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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Mais uma mentira

Há muito que desconfiava da franqueza dos números das greves e manifestações que a CGTP, no seu velho estilo revolucionário, sonhando em cada acção o fim do Estado, nos apresentava como saldos do seu autoproclamado poder sobre o mundo do trabalho.

Francisco Moita Flores 28 de Novembro de 2010 às 00:30

Há pouco tempo, numa dessas heróicas manifestações, o seu líder proclamava em tom épico a mobilização de cem mil trabalhadores. A mistificação levou um tiro na coxa. Um grupo de estudos sociais da Universidade Nova estudava a manifestação e contou-os. Afinal os 100 mil não passavam de 10 mil. A notícia foi publicada e acabou-se a fanfarronada. Nem foi comentada. A CGTP meteu a viola no saco, percebendo-se que não sabe contar.

Porém, a necessidade de mostrar uma força que não tem leva sempre a tiros de artilharia pesada contra periquitos. O canhão da central comunista disparou: três milhões de trabalhadores (julgo que inclui operários e camponeses, há muito banidos da gramática sindical) estiveram envolvidos na greve! Uma formidável força que obrigaria a modificar a política dominante. Só um distraído ou um fanático acredita nisto. Basta que estive na rua para perceber que a greve viveu e se alimentou do funcionalismo público. E mesmo assim de uma parte, embora significativa, desse funcionalismo e das empresas estratégicas do Estado, onde os transportes têm um papel decisivo para desequilibrar a vida rotineira de um dia normal. Se contarmos os funcionários e admitirmos que metade parou, em alguns casos nem metade parou, sabendo do valor residual nas empresas privadas de pequena e grande dimensão, talvez nem um milhão de pessoas estiveram envolvidas na jornada bem encenada, mas sem o público desejado. Resultado: foi um arraial sem consequências.

Não creio que haja um português que não esteja revoltado com este Orçamento do Estado. Acredito, até, que os sucessivos falhanços do desenvolvimento do país ao longo das últimas décadas merecem forte e severa crítica. A nossa classe política não foi competente, não foi motor gerador de crescimento. É verdade. Merece protesto. Mas quem lidera protestos tem que merecer a mínima confiança, ou seja, a seriedade do pensar, do agir, do dizer. E neste campo a CGTP apresenta-se com a mesma falta de rigor e honestidade democrática. Em crise, protagonista esclerótico de quem o PCP faz gato-sapato para alimentar a utopia revolucionária. Quer vindo da política, quer das suas organizações sindicais, os trabalhadores bem podem viver desencantos pois estão mesmo lançados às feras. Uma tristeza!

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