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Correio da Manhã

Opinião
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César Nogueira

Mão de obra barata

Quer trabalhemos 40 ou 200 horas por semana, não recebemos mais por isso.

César Nogueira 18 de Agosto de 2013 às 01:00

Ainda sem um horário que determine a duração máxima do tempo de trabalho, que humanize e adeque à lei o serviço na GNR, neste verão têm sido bem visíveis as consequências da falta de efetivo, sendo que, nalguns locais, a única folga semanal foi suprimida, estando a ser impostos horários absolutamente desumanos.

Há razões para que o Governo não tenha vontade de regulamentar o horário de referência... Se um profissional da categoria base trabalhar cerca de 90 horas semanais, com aquilo que é o seu vencimento, o valor-hora do seu trabalho é absolutamente irrisório, podendo rondar os três euros.

Ou seja, com horários mais extensos, o nosso trabalho está cada vez mais barato. Somos da mão de obra mais barata de todos os se tores de atividade porque, quer trabalhemos 40 ou 200 horas por semana, não recebemos mais por isso – é que, não havendo limites à duração do trabalho, não há conceito de trabalho suplementar e respetiva compensação.

Somos nós os tais que "ganhamos acima da média", como dizia um "sábio" estudo encomendado pelo Governo – ganhamos 3€/hora para arriscar a vida.

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