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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Julho de 2004 às 00:00
Para alguma intelectualidade, o País está dividido entre ‘bons’ e ‘maus’. Os bons, uma minoria esclarecida, que escreve coisas difíceis em jornais de referência. Os maus, uma maioria de delinquentes, que não concordando com as suas opiniões influenciam negativamente o juízo do povo.
Tudo isto vem a propósito da querela aberta sobre a sucessão de Durão Barroso à frente do Governo e do PSD. Segundo os analistas de ‘referência’, os que apoiam a solução protagonizada por Santana Lopes são “analfabetos”, “incultos” e “rascas”. Uns intoleráveis “pimbas” da vida pública.
Ainda segundo esses comentadores, os que rejeitam a potencial liderança do presidente da Câmara de Lisboa são “reincarnações angelicais”, “produtores de sons benditos” gerados por mentes geniais. É neste contexto que costumo ser etiquetado, só porque aprecio Santana Lopes, esse “irresponsável leviano” que, aos 20 e poucos anos, já era adjunto de Sá Carneiro; que, com pouco mais de 30 anos liderou a primeira lista do PSD candidata ao Parlamento Europeu; que foi 5 anos responsável pela política cultural de Cavaco Silva; que colocou a Figueira da Foz no mapa e que, finalmente, conquistou, pela primeira vez, a Câmara de Lisboa para o PSD.
Adoro o contraditório, mesmo agressivo, desde que genuíno e frontal. Detesto a hipocrisia, a calúnia insidiosa e a má educação. Nos últimos dias, como outras vezes no passado, vi-me debruçado sobre textos que fizeram beliscar-me para saber se aquele Menezes, brutamontes e demagogo, era eu próprio.
Malevolamente, um articulista, dos tais de “referência”, escrevia recentemente: “Santana apoiado por Ruas, Jardim e Menezes; Santana recusado por Cadilhe, Ferreira Leite e Pacheco Pereira. Basta olhar para estes apoios para se perceber qual o lado certo”. Claro que o segundo, o dos “bons”.
Não sou advogado de defesa de Ruas nem de Jardim, contudo, detesto ser insultado. Aos 22 anos era médico e assistente universitário; aos 30 era-o num dos melhores hospitais da Europa desenvolvida e civilizada; fui 4 anos secretário de Estado de Cavaco Silva e, agora, sou, com obra feita, presidente da 3.ª maior Câmara do País.
Qual o currículo profissional e público desse e de outros articulistas? Aliás, se sou assim tão destituído, por que razão já me pediu e publicou artigos de opinião no seu “importantíssimo” jornal? Aliás, porque é que se tem dado ao trabalho de me ocupar almoços e de me elogiar publicamente? Eu, para ele, um ser tão “inferior”.
Não vou entrar no jogo de dizer mal das pessoas com que me fui confrontando, cujas opiniões contesto mas respeito. Para esses articulistas de “referência” recordo apenas que no apoio a Santana se encontram outros “atrasados” como Paulo Teixeira Pinto, Carlos Encarnação, António Capucho ou o empresário Ilídio Pinho. Porque é que insidiosamente os ocultou?
Estou disponível a perdoar actos próprios da fraqueza e da natureza humana. O ódio cega e, por vezes, conduz o homem à perdição. Por mim, com amor às disputas, mas com serenidade, vou continuar a respeitar o direito à diferença. A nossa democracia necessita dessa tolerância.
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