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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Paulo Fonte

Mentes à deriva

Numa semana pródiga em Saber, aprendemos que médicos, fadistas e carpinteiros devem abster-se de opinar sobre futebol, pelo menos segundo a cartilha de um treinador sem paciência para a crítica, e concluímos que a mente humana é igual a mistério insondável. Isto, a propósito da atitude do comandante de um navio que, apesar de submetido a um "rigoroso" programa de treino, revelou falta de carácter e agora é o homem mais odiado de Itália.

Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt) 21 de Janeiro de 2012 às 01:00

Conversa confrangedora a mantida entre o chefe da capitania de Livorno e Francesco Schettino, o comandante do ‘Costa Concordia’, navio que naufragou arrastando um número ainda não determinado de vítimas. Um diálogo revelador de um homem cobarde que, em sua defesa, avança um arrazoado de mentiras patéticas.

É o mais fácil atribuir-lhe todas as culpas deste mundo. Não é, contudo, o único responsável. Estranha-se que, sendo obrigado a baterias de testes ao longo dos anos, ninguém se tenha apercebido de que Schettino apresentava deficiências de personalidade que não aconselhavam colocá-lo ao leme de um navio com quatro mil pessoas. A tragédia aconteceu, vidas perderam-se, a Opinião Pública já tem um culpado. Tudo evitável.

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