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Correio da Manhã

Opinião
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28 de Agosto de 2004 às 00:00
Não que as actuações dos atletas tenham sido más, isso não foi referido. O que tem havido é pouca competição, lamentou-se durante uma conferência de Imprensa a porta-voz desses praticantes, Dimitra Kanellopoulou. Estou a referir-me à prostituição, que, em Atenas 2004, está longe de ter atingido os recordes de Sydney, há quatro anos.
Na Austrália, lembra-se aqui, as dez mil prostitutas habituais, reforçadas por mais mil vindas até do estrangeiro, animaram a cidade olímpica, os turistas e, certamente, muitos atletas que se consolaram na cama pela falta de ‘perfomances’ no tartan. Segundo Dimitra, nada disso, este ano. As 700 prostitutas de Atenas esperavam a animação de uma partida de maratona e só tiveram direito a uma chegada da mesma. Em vez de uma multidão a acotovelar-se, tem sido o ora agora aparece um, ora mais logo aparece outro.
Na Grécia, a prostituição é legal desde (1920!), paga impostos, dá direito a carteira profissional e tem os bordéis reconhecidos pelo Estado. Esta catástrofe olímpica vem no seguimento de um conjunto de contratempos recentes para a profissão. Uma lei de 1999 obriga ao fecho de bordéis situados a 200 metros de hospitais, escolas ou igrejas. Armada de um mapa, Dimitra (loura falsa, lábios de silicone) demonstrou aos jornalistas que poucos lugares em Atenas não ficam a 200 metros de uma escola ou de uma igreja.
Em todo o caso, estranham-se os fracos resultados, porque esta é a única modalidade onde o doping é permitido. Dimitra Kanellou até se veria grega a sério se, à saída dos quartos, houvesse controlos-surpresa ao Viagra.
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