Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
2
16 de Setembro de 2004 às 00:00
A Mira Amaral cabia a gestão da actividade bancária no mercado português, mas os outros assuntos, como as parcerias, a actividade internacional e os seguros, eram supervisionados directamente por António de Sousa. E as decisões estratégicas de Mira Amaral tinham de ser ratificadas por António de Sousa.
Mas parece que o presidente do conselho de administração só teve conhecimento de mudanças significativas previstas para o seu grupo através de notícias em jornais. O divórcio ocorrido na liderança da Caixa foi ainda muito mais rápido que o que aconteceu na TAP, o que permite questionar o modelo de dois presidentes nas empresas públicas. Nas empresas privadas, com cotação na Bolsa, o modelo tem virtudes, com o ‘chairman’ mais preocupado com a estratégia e a defesa dos accionistas, enquanto o presidente executivo (CEO) se preocupa mais com a gestão operacional.
Nas empresas públicas, cabe aos ministros que as tutelam esse papel de ‘chairman’. O presidente escolhido tem de ser o principal responsável, com funções executivas, a quem o accionista Estado tem de pedir contas.
É curioso que nas grandes empresas privatizadas o modelo com um presidente do conselho e um presidente executivo funciona, de forma aparentemente pacífica. Assim acontece na PT, com Ernâni Lopes e Miguel Horta e Costa, ou na EDP, com Francisco Sanchez e João Talone. Mas estas empresas estão sujeitas à pressão do mercado de capitais e por isso o modelo de governação está bem definido. É uma das provas de que a cotação das empresas na Bolsa obriga a alguma racionalidade de gestão, a que os administradores podem escapar quando apenas têm de responder a um Governo. Por isso, embora mantendo a maioria do capital da Caixa Geral de Depósitos em mãos do Estado, não seria despropositado dispersar uma parcela do capital do maior banco português em Bolsa.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)