Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
4
2 de Dezembro de 2003 às 01:13
O Beira-Mar merece todos os elogios. À hora a que escrevo, António Sousa ainda não sabe se acabará a 12.ª jornada em 2.º, 3.º ou 4.º lugar. Depende do Benfica e Sporting, mas no fundo vai dar ao mesmo: os de Aveiro são a surpresa da SuperLiga. A grande vantagem para o Beira-Mar é que os 23 pontos que já conseguiu são meio caminho andado para a manutenção. Era o objectivo à partida, não consta que tenha mudado. A desvantagem é que o campeonato, bem vistas as coisas, ainda nem começou. A responsabilidade do Beira-Mar cresce a cada dia que passa. Há muito tempo que o futebol português precisa de uma equipa que se intrometa entre os da frente. E jogue bem. Sim, o Boavista até foi campeão, mas salvo melhor opinião, em nada contribuiu para fazer crescer o jogo. Bem pelo contrário. Este Beira-Mar é diferente. Os princípios até podem parecer semelhantes (rigor atrás, três médios de trabalho, poder físico na frente), mas existem diferenças, como diferenças existiam entre Pacheco e Sousa, nos largos anos em que dividiram o meio-campo. Em Aveiro acredita-se mais na bola e essa é uma distinção evidente. Por isso, um jogador como Petrolina encontra ali o espaço ideal. Depois, em Aveiro existe um "trinco" que faz golos (Sandro) e um avançado que merece toda a atenção (Wijnhard). Tudo somado, ficam explicadas as três vitórias fora. Para o Beira-Mar, a hora da verdade está a chegar: equipas que fizeram sensação e caíram aparecem em todos os campeonatos. Difícil é acreditar que se pode ir sempre mais longe, passar sem dor a fronteira que separa o muito do quase nada. Até por isso, a vitória em Coimbra acaba por ser mais importante do que o triunfo na Luz.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)