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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco J. Gonçalves

Na morte de Marilyn

Em Agosto de 1962, aos 36 anos, morreu Norma Jeane Baker, facto que só é lembrado por ser esse o nome de baptismo da que para o mundo foi Marilyn Monroe. Volvidos 49 anos, esse ícone da beleza foi posto à venda em Buenos Aires. Ou melhor, foi a leilão um filme de Norma Jeane a fazer sexo. Da proverbial beleza pouco resta. É assim a pornografia e não podia ser diferente só por o objecto de prazer onanista ser Marilyn.

Francisco J. Gonçalves 10 de Agosto de 2011 às 00:30

Ninguém pagou os 350 mil euros pedidos. Porque, diz-se, o filme não entusiasma e, pior, pode ser falso. Mas, por se tratar de pornografia, a autenticidade importa menos do que o carácter quase sacrílego das imagens. Escreveram-se milhões de páginas sobre Marilyn, o seu sofrimento, os seus casamentos, as suas limitações como actriz... mas muito pouco sobre Norma Jeane.

Foi isso que disse Ruy Belo quando escreveu: "Mais que chamar-lhe Marilyn/devíamos mas era reservar apenas para ela/o seco sóbrio simples nome de mulher." E foi a mulher que decidiu matar o mito, e morrer com ele, quando percebeu que "todos afinal a utilizavam". O drama dos ‘mitos’ é esse: anulam a nossa humanidade. Mas essa, ao menos essa, devia poder descansar em paz.

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