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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Maio de 2009 às 00:00

Mas o futebol também se faz de estados de espírito, e esse é um campo impenetrável. Muitos dirão que na noite de quarta-feira, quando Iniesta, aos 93 minutos, arrumou com os londrinos, os adeptos do Chelsea transformaram-se no grupo de pessoas mais consternadas, arrasadas e revoltadas em torno de uma bola. A opinião é rebatível se pensarmos no que os adeptos do Real Madrid terão sentido nesse preciso momento em que a tal bola, disparada pelo pé direito de Iniesta, colocou o arqui-rival Barcelona na final da Liga dos Campeões. Consternados, arrasados, revoltados, sim, certamente, mas também humilhados pela antecipação das três semanas de euforia catalã que terão de suportar até à final de Roma.

O futebol não tem pátria, essa é uma grande verdade do jogo e das suas emoções. A qualquer instante, de acordo com as conveniências da situação e com as ambições próprias, cada adepto pode escolher a sua pátria futebolística. Na quarta-feira passada, os adeptos do Real Madrid sofreram como se tivessem todos nascido debaixo de uma ponte sobre o Tamisa (Stamford Bridge, por exemplo) e eram mais ingleses do que o chá das cinco. Estas traições, frequentemente, pagam-se caras. E foi o que aconteceu.

Não são só os adeptos a mudar de passaporte de acordo com os seus desejos. Os jogadores, a título individual, no plano exclusivo das suas carreiras, também podem mudar de nacionalidade. Veja-se os exemplos de Deco e de Pepe, no caso da selecção portuguesa. Por tudo isto, têm mais valor as palavras de Nené, o brasileiro que lidera a tabela dos goleadores da Liga. 'A ambição da minha vida é jogar no escrete', afirmou. Tem-se em boa conta este Nené. Liedson que fique tranquilo.

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