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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Maio de 2011 às 00:30

Se há quem possa ombrear com o clube de Pinto da Costa em matéria de acumulação de taças esse é, sem dúvida, José Sócrates. O candidato do PS a primeiro-ministro possui uma galeria invejável de troféus, que conquistou, com inegável destreza, ao longo dos seis anos em que governou o País. Ninguém conseguiu bater tantos recordes.

É ele o homem que mais gente lançou no desemprego, a ele se deve a maior dívida de sempre, tem a sua assinatura o mais impressionante défice português de que há memória e ninguém como ele se esforçou tanto para desfazer o chamado Estado Social. Muitos outros galardões se poderiam associar ao seu perfil de recordista, a começar na inaudita capacidade de prometer uma coisa hoje e fazer outra amanhã e a terminar na prodigiosa habilidade de reconverter a realidade em função da conveniência dos seus juízos próprios. O talento para fabricar PEC a cada punhado de meses dificilmente estará também ao alcance de qualquer dirigente nacional ou internacional. É este extraordinário ‘curriculum’ que o secretário-geral socialista exibe na campanha eleitoral que já calcorreia estradas, ruas e caminhos de Portugal, rodeado da magnífica corte que com ele foi cavando fundo a crise, cuja responsabilidade, a confiar-se no douto raciocínio que pratica, se deve assacar à Oposição, porque não soube reconhecer os méritos da sua governação e preferiu deitá-lo abaixo, em vez de permitir que prosseguisse a jornada em busca de novos recordes de desgraça.

Os últimos dias pouco ou nada têm trazido em matéria de novidades, se excluirmos os aproveitamentos à volta de questões como a Taxa Social Única ou as Novas Oportunidades. A primeira, mais ponto menos ponto, vai mesmo sofrer redução, em obediência às instituições estrangeiras com quem se negociou o empréstimo de 78 mil milhões, diga Sócrates o que disser, seja o PS governo ou não.

Quanto às Novas Oportunidades, de boas intenções está o Inferno cheio e ninguém ignora que, independentemente da bondade dos objectivos, há muita gente que obteve um canudo à pressão, porque engordar estatísticas sempre se revelou fundamental para um estilo de gestão do País que se alimenta da propaganda e da manipulação.

Os debates televisivos e a campanha em si têm sido de grande pobreza. À troca de argumentos prefere-se o ataque imediato e a algazarra que abafa propostas. Sócrates e a sua equipa continuam a mostrar-se exímios nesse aspecto. Resta saber até que ponto a ilusão da forma resiste à força da substância. A quantidade de indecisos de que as sondagens dão conta, sendo excessiva, é, sobretudo, triste e desmonta a imagem de um país que ainda não quis perceber que viver na irrealidade comporta um preço muito alto.

SOLTAS

TELHADOS DE VIDRO

Sócrates atira-se ao Partido Social Democrata por advogar a privatização parcial das Águas de Portugal. Diz mesmo tratar-se de uma aventura irresponsável. Esqueceu-se de que a empresa, quando presidida pelo indefectível Mário Lino, preparou a entrada de privados no seu capital. Memória curta…

AUTOMUTILAÇÃO

 Notória a queda de audiências da TVI. Mesmo com concorrência débil, as novas novelas estão longe de números antigos, as mudanças na Informação não parecem portadoras de grande sedução e Fátima Lopes não descola. A estação apouca-se pelas próprias mãos.

130 ANOS DE CEGUEIRA

No ano de 1871, já o escritor Eça de Queiroz afirmava que o Portugal perdera "a inteligência e a consciência moral" e que o País estava "perdido". Ao reler-se ‘As Farpas’, apodera-se de nós a certeza de que Portugal ficou assim porque todos deixámos. Não foi por falta de alertas.

NOTAS (ESCLAA DE 0 A 20)

17 - ANDRÉ VILLAS BOAS

Numa fase de desgraças nacionais, provou que, com planeamento e trabalho, é possível o sucesso. Pinto da Costa teve mérito ao confiar nele para levar o Porto do inferno à glória.

14 - DOMINGOS PACIÊNCIA

Não conseguiu vencer o FC Porto mas assina, pela segunda vez consecutiva, uma época histórica para o Braga. Nunca o clube tinha ido tão longe. É um valor seguro como treinador.

8 - VÍTOR CONSTÂNCIO

Diz que Portugal deve cumprir os acordos com FMI, UE e BCE, superando o previsto. A rigidez de agora contrasta com a sua to-lerância quando regulador no Banco de Portugal.

6 - HELENA ANDRÉ

As estatísticas do desemprego encaminham-se aceleradamente para os 13%. Ao Governo, de que ainda faz parte, cabe fatia enorme da responsabilidade pela situação.

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