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Correio da Manhã

Opinião
8 de Outubro de 2003 às 01:53
Assim, tendo-se demitido apenas ontem, na sequência dos de-senvolvimentos das últimas horas relativos ao caso da ‘cunha’, não pode haver outra interpretação senão que o próprio primeiro-ministro saiu derrotado na intenção de fazer sobreviver no cargo o seu amigo ministro dos Negócios Estrangeiros.
Das duas uma: ou Martins da Cruz não contou tudo ao chefe do Governo, ou contou e, nessa possibilidade, o próprio Durão Barroso terá falhado na aferição da importância política do caso.
Além do mais, convém, de uma vez por todas, perceber o seguinte: tanto Pedro Lynce como Martins da Cruz estavam a ter um bom desempenho dos respectivos cargos. Ambos são, com certeza, pessoas responsáveis e pessoalmente honestas. A filha de Martins da Cruz é, até, uma exemplar estudante que, em função das médias conseguidas no exigente ensino privado, deveria entrar directamente em qualquer universidade portuguesa. É um crime que uma jovem desta qualidade vá estudar para fora e, provavelmente, parta com desgosto de viver num país tão medíocre. Isto é tão verdade quanto o tempo de um ministro ser demasiado mal empregue para assinar simples requerimentos particulares, o que é uma nefasta consequência do nosso sistema político-administrativo.
Dito isto, convém assinalar que os titulares de cargos públicos sabem ao que vão e as responsabilidades que assumem. Quando, por qualquer razão, falham da maneira grosseira como estes dois falharam, o melhor é não prolongar a agonia. Não havia necessidade. Nem alternativa.
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