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Correio da Manhã

Opinião
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31 de Maio de 2007 às 09:00
Num país pequeno, a falta de critérios de isenção nas opções editoriais transforma facilmente a democracia numa perigosa caricatura. Fruto dessa entorse, nos últimos anos, vários primeiros-ministros e líderes partidários foram assim clonados na incubadora televisiva.
A seguir foram ratificados pelo povo.
Porque a culpa é da nossa acomodação colectiva, indigno-me sempre que sou brindado com a maledicência perversa do oráculo domingueiro da RTP.
Há dois anos, andou um mês a anunciar que a minha candidatura à liderança do PSD valeria 10% de votos. Perante os quase 50% que então obtive, silenciou-se. Afinal, o que desejava era que alguém que colocasse ordem na casa não atingisse os objectivos. Conseguiu-o.
Agora prossegue a sua habitual cavalgada destrutiva. Na sua última ‘missa’ laica, depois de prognosticar novo insucesso de uma eventual recandidatura, afirmou: “Santana já sabemos o que vale, Menezes imaginamos o que valeria!”
Eu também sei. Valeria pelo menos tanto quanto o ex-deputado e secretário de Estado que convidou para seu vice-presidente e para líder do Grupo Parlamentar. Valeria pelo menos tanto quanto o dirigente partidário que construiu a campanha que o conduziu à liderança do PSD. Valeria pelo menos tanto quanto o autarca, que classificava de “modelar”, que convidou para presidente da Associação Nacional de Municípios.
Este oráculo nunca venceu uma eleição, mas é omnisciente. Da literatura ao pólo aquático.
Em contrapartida, a destruir e a conspirar é imbatível. Conseguiu a proeza de derrubar Sá Carneiro, destruir Balsemão, dizimar Mota Pinto, dar negativas a Cavaco e hostilizar Barroso. Face aos últimos comentários, Marques Mendes que se cuide, pois com amigos destes não terá grande futuro.
Pela minha parte não me intimida. Interessa-me, sim, o que pensa o taxista, o funcionário público, o pequeno comerciante, o professor, o trabalhador por conta de outrem, o homem do povo. Gente concreta a quem a vida custa a ganhar. O oráculo tenta influenciar a opinião pública partidária, por isso protesto. Aliás, a sua popularidade em sondagens decorre somente do seu estatuto de entertainer. Se nas mesmas sondagens colocassem os nomes de Ricardo Araújo Pereira, Tiago Dores, Miguel Góis ou Zé Diogo Quintela, os resultados seriam muito mais significativos. Porque estes, além de talentosos, produzem um humor inteligente e têm carácter.
Há dois anos, Rui Gomes da Silva foi quase incinerado porque, legitimamente, reivindicou um justo contraditório aos monólogos da má-língua. Tinha razão, mas o Mundo quase o engolia.
Por isso, não reivindico a sua saída. O mercado e as audiências hão-de mandá-lo para onde merece. Até lá, seria útil, já que recebe um salário para que também contribuo, que o programa fosse afastado para o fim da noite, longe do Gato Fedorento, para não ter shares à boleia. Devia ficar fora do olhar das crianças e devia ser identificado com duplo círculo no canto superior direito.
E, por agora, deixo de fora a explicação das razões que não permitirão que, mesmo nas suas evasões oníricas enquanto PR, venha a receber o MRPP em Belém!?
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