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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Dezembro de 2011 às 01:00

Em tempos de dificuldades e desafios, cabe aos Governos falar verdade e liderar o caminho da esperança e mobilização dos povos para encontrar a luz ao fundo do túnel.

Enquanto a Europa se desmorona após mais uma cimeira histórica que não resistiu a uma semana de mercados, o Governo português confirma o desígnio fatalista de ter por referência os fundamentalistas financeiros finlandeses, apontados co-mo exemplo por Passos Coelho no último debate parlamentar, e como desígnio a imigração desordenada.

A verdade orçamental para troika ver são sete mil milhões de receitas extraordinárias somando o desvio de metade do subsídio de Natal à Scut financeira que é a operação dos fundos de pensões. A despesa será paga pe-las gerações futuras sem qualquer contrapartida na melhoria das condições de vida.

Portugal era uma referência na utilização de energias renováveis e a mobilidade eléctrica um símbolo dessa aposta de futuro. A má fé revanchista leva à diabolização das eólicas e à eliminação dos benefícios fiscais aos veículos ambientalmente inovadores com efeito no abandono da fábrica de baterias da Nissan.

É surreal o apelo à emigração de professores para o espaço lusófono pelo Governo que despediu dezenas de professores de Português na diáspora.

Só um místico ardente da redenção pelo sacrifício espera motivação e paz social quando, depois de reduzir em 14% o salário dos funcionários públicos e propor ao sector privado o trabalho gratuito nos feriados, vem defender a redução de 30 para 8 dias por ano de actividade da indemnização por um despedimento Simplex.

Quanto à reforma do Estado, oscila entre o regresso aos defuntos distritos na organização judiciária e o marco histórico que são os 16 subdiretores da nova Autoridade Tributária.

Entre indicadores de consumo de há 30 anos e a confirmação de que a nossa recessão em 2012 será superior à da Grécia aguarda-se que a estrela de Natal possa iluminar o caminho da Europa e possa reencontrar os portugueses com a esperança aliviando o tom do ano mais negro da nossa democracia.

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