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Correio da Manhã

Opinião
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29 de Março de 2008 às 00:30

Numa altura em que correm trinta anos da morte do antigo primeiro-ministro italiano Aldo Moro, escandalosamente entregue pelos ‘amigos’ políticos às Brigadas Vermelhas, a questão volta a colocar-se com os reféns da guerrilha colombiana. O presidente da Colômbia está disposto a negociar a libertação de presos das FARC por troca com a entrega de centenas de reféns e, em particular, da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, cujo estado de saúde está muito débil. A impressionante imagem divulgada na altura em que foram libertados reféns mostra claramente uma mulher sem força para continuar a viver.

O longo cativeiro de Moro, transformado num libelo acusatório contra o próprio Estado italiano e um monumento de desumanidade, bem como o sofrimento interior estampado no olhar cabisbaixo de Ingrid, são exemplos claros do que pode ser essa excepcionalidade negocial. Tal como, de resto, alguns países ocidentais já fazem no Iraque ou no Afeganistão de cada vez que são capturados cidadãos nacionais. Não aceitar a negociação seria tão ou mais criminoso do que sequestrar.

 

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