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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Janeiro de 2012 às 01:00

Sejamos directos e objectivos – a China é a segunda maior economia do mundo e dentro de poucos anos passará a ser a primeira, com uma capacidade notável de investimento e de liquidez. O investimento chinês precisa de entrar em força na Europa, sendo que Portugal é um excelente veículo para a concretização desse desígnio. As relações entre Portugal e a China têm sido excelentes e foram mesmo reforçadas pela forma lapidar como decorreu a negociação da transferência de Macau. Acresce que o mundo asiático é um dos novos e mais relevantes mercados quer para as nossas exportações quer para a internacionalização da nossa economia. Tudo isto é mais do que suficiente para concluir que entrar no radar de negócios da China é fundamental para Portugal, para a dinamização do investimento estrangeiro no nosso país e para a abertura de novos horizontes às empresas portuguesas.

Num tempo em que a Europa está velha, estagnada e em perda de competitividade, o investimento chinês em Portugal não é despiciendo. É mesmo essencial. Ao nível da EDP, dos bancos, da indústria automóvel e em vários outros sectores. Num momento de depressão em Portugal, o investimento chinês não é irrelevante. É mesmo uma forte pedrada no charco. Ajudará a criar músculo financeiro, tecnológico e empresarial. Claro que os chineses não investirão cá por razões de simpatia e muito menos por imperativos de solidariedade. Isso não existe no mundo dos negócios. Fazem-no por interesse, em particular o interesse pela Europa. Mas são estes os ingredientes dos bons negócios – a vontade de prosseguir interesses comuns e de experimentar parcerias reciprocamente vantajosas. Deixemo-nos, pois, de platonismos. O tempo é de realismo e de pragmatismo. O futuro não se constrói na base dos paradigmas do passado.

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