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Correio da Manhã

Opinião
26 de Maio de 2012 às 01:00

Não há paixões clubísticas que justifiquem o ambiente criado à volta do jogo e que já fazia prenunciar situações de difícil controlo. Confrange a idiotice e a estupidez que mancham o espírito desportivo e emporcalham dirigentes. Não pode valer tudo em nome de uma vitória.

É também lamentável que a Federação, em vez de tomar providências enérgicas para garantir as condições adequadas ao desempenho pleno dos atletas e a um espectáculo de alta qualidade, se tenha limitado, em sinal de distanciamento das atitudes dos donos do recinto, a não se fazer representar no evento. Simplesmente, ridículo.

Impressionou-me o caso, numa semana em que, a par dos problemas da economia e das finanças nacionais, com o desemprego a confirmar-se como um flagelo de difícil travão e sem que a troika, o Governo e a Oposição verdadeiramente disponham de ideias novas para o combater, o ministro Miguel Relvas esteve debaixo de intenso fogo cruzado. Por culpa própria.

Já publicamente afirmei que não acredito que, alguma vez, se esclareçam os factos que envolvem alegadas pressões suas sobre o ‘Público’. Em confronto estará a palavra de uns e outros e, em tal contexto, o apuramento da verdade permanecerá nebuloso. O que verdadeiramente me surpreende nesta situação, em que a actuação da Direcção do jornal também nem sempre me pareceu linear, é o modo tosco como um político experiente como Relvas se deixa atolar em terreno tão movediço.

Não há nada que justifique ou desculpe as reacções intempestivas que teve, exigindo-se-lhe, até mesmo pela importância das funções que exerce no Governo, que se assuma como um baluarte de transparência, moderação, estabilidade e confiança. Não é a circunstância de comparecer pessoalmente na ERC, em vez de depor por escrito, que altera o quadro de degradação de imagem e credibilidade que agora enfrenta, com o risco de propagação ao próprio primeiro-ministro, chamado, como já se percebeu, a defendê-lo. O homem mais importante para Passos Coelho, a par de Vítor Gaspar, com dossiers fundamentais em mãos, introduz vulnerabilidades sérias na equipa governativa, quando esta mais precisa de coesão, consistência e foco.

Como um mal nunca vem só, Adelino Cunha, seu adjunto, foi forçado, ontem, a demitir-se, por a investigação do Ministério Público ter descoberto trocas de mensagens suas com Jorge Silva Carvalho. A enxada entrou na terra e saltou uma minhoca… Não me parece que tanto problema se resolva com uma simples ida à bruxa.

SOLTAS

ÁLVARO, O ORÁCULO

Santos Pereira acredita que Portugal será ‘o caso’ de sucesso da Europa. Não há nada que os portugueses mais queiram do que isso. Só que o desemprego e a acentuação do desequilíbrio das contas públicas não validam esse optimismo. Para muitos, o ministro arrisca-se a ser colocado na categoria dos ‘ET’.

RENASCER COM A BOLA

Paulo Bento conduz hoje a selecção nacional no seu primeiro jogo de preparação antes do Euro. Surpreende-me sempre a mobilização da esperança que a equipa faz despertar. É como se, não se podendo acreditar em mais nada, a selecção fosse a câmara de compensação para tanta desilusão. Duro para Ronaldo e Ca.

NÃO HÁ ADEUS

Não sei por que razão retirei da estante ‘Farewell’, o último livro escrito por Carlos Drummond de Andrade. Reli os 49 poemas com enorme prazer, como se da primeira vez se tratasse. Apesar do conteúdo implícito no título da obra, ‘Despedida’, nela não há melancolia. Apenas a sedução da poesia.

NOTAS (Escala de 0 a 20)

13 - PEDRO EMANUEL

A época foi muito sofrida para a Académica, que se salvou por um triz da descida de divisão. Mas a vitória na Taça é um marco que a História recordará.

8 - ARMANDO VARA

Foi condenado pela CMVM a pagar uma coima de 50 mil euros. Motivo: negligência enquanto administrador da Caixa. Francisco Bandeira idem.

7 - PINTO DA COSTA

Os incidentes no Porto-Benfica em basquetebol, no Dragão, eram evitáveis. As provas que já deu como dirigente bem-sucedido dispensavam esta mancha.

6 - PAULO CAMPOS

O ex-secretário de Estado de Sócrates não enviou para o Tribunal de Contas toda a informação sobre os contratos das novas estradas. Omissão cirúrgica.

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