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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Abril de 2006 às 17:00
Não me recordo de uma visita governamental preparada com tanto cuidado como aquela que José Sócrates vai fazer a Angola. Uma verdadeira operação diplomática e empresarial montada com um apuro que não é comum em Portugal. Não é assim difícil preconizar uma visita bem sucedida em todos os domínios. Se não houver nenhum incidente imprevisto, tudo se conjuga para que Angola receba com amizade e sentido pragmático o primeiro-ministro português.
Como se sabe, o Partido Socialista foi sempre muito desastrado, quando esteve no Governo, em relação a Angola. E, por isso, não causa admiração que figuras destacadas da política e da governação de Angola digam com a maior abertura que houve sempre melhores relações com o Governo do PSD.
Lembram Sá Carneiro e outros primeiros-ministros da área social-democrata, Durão Barroso inclusive, em contraposição com, por exemplo, Mário Soares, que, de acordo com o que ouvi, chegou a ser hostil ao MPLA, o partido que governa este grande país da África Ocidental.
No entanto, nos contactos que tenho mantido em Angola, há uma expectativa positiva em relação a Sócrates. Os angolanos, embora receosos, acham que ele pode vir a ser o primeiro-ministro da área do PS verdadeiramente empenhado na melhoria de relações com Angola, no estabelecimento de um clima favorável à cooperação entre os dois governos, abrindo portas para um grande e duradouro entendimento.
Contribuem para este espírito as decisões tomadas no que diz respeito à lei da nacionalidade portuguesa, que não exclui angolanos nascidos em Portugal, à resolução pronta do ministro dos Negócios Estrangeiros perante um incidente com um jornalista angolano que foi maltratado por um funcionário da embaixada portuguesa e que por isso foi mandado regressar de imediato a Lisboa, numa atitude condenatória dos actos praticados.
A delegação do Partido Socialista chefiada pelo deputado José Lello que saiu ontem de Angola depois de amplas conversações e concertações a nível partidário, entre o PS e o MPLA, foi outro sinal muito positivo para os dirigentes angolanos que viram assim associadas às relações Estado a Estado o estabelecimento de entendimentos bilaterais a nível partidário, como é timbre na vida política angolana.
Antes da visita do PS, esteve em Angola uma delegação da Assembleia da República que cumpriu também essa missão de aproximação entre os dois países. No último mês foram a Angola vários ministros de Portugal e outros responsáveis da Administração Pública portuguesa para acerto de agulhas, preparação de protocolos, inventariação de problemas, abertura de oportunidades de negócio, no amplo desejo de estabelecer entre Angola e Portugal soluções no interesse das duas partes. Angola é o país do mundo que mais vai crescer este ano e Portugal dá mostras de pretender impulsionar a criação de uma plataforma de interesses mútuos que os angolanos acreditam ser muito positiva.
Sócrates vai viajar com uma grande comitiva, onde estão os mais altos representantes da Banca, da finança, da indústria, da ciência e da cultura e ainda personalidades destacadas de áreas especializadas em que Angola carece de apoio. Sócrates, tudo indica, vai virar uma página na história das relações entre os dois países.
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