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Correio da Manhã

Opinião
7 de Julho de 2006 às 00:00
O perigo deste tipo de análise (?) é esquecer o óbvio e focar os detalhes. Por falar nisso, era evidente que uma partida entre Portugal e França seria de xadrez com milhares nas bancadas. Ou seja, só os pormenores contavam. De resto, foi quase sempre assim num mês de futebol sem cor.
Os 90 minutos de Munique podem resumir-se a dois instantes: a bota de Ricardo Carvalho na perna de Henry e a bola que saltou dos braços de Barthez para a cabeça de Figo e daí para fora.
Nas últimas cinco horas de futebol a selecção portuguesa conseguiu o golo de Maniche e praticamente mais nenhuma oportunidade. Logo depois do penálti de Zidane a esperança de dar a volta ao resultado era pequena.
Scolari montou a equipa para um Mundial assim. Portugal esteve exactamente ao nível das outras selecções que chegaram aos quartos-de-final e praticou um futebol idêntico, feito de rigor e suor, vazio de espectáculo. O seleccionador teve, entre outros, o mérito de preparar muito bem o grupo para o que aí vinha. Já se sabe que isso tem custos, um deles a ausência de soluções alternativas de ataque. Notou-se frente à Inglaterra, foi fatal nas meias--finais. No fundo o xadrez é isto.
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