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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Junho de 2008 às 09:00

O campeonato da Europa está à porta. A nossa selecção prepara-se para entrar em campo, disputando o primeiro jogo com a selecção da Turquia.

O que me interessa, neste momento, não é falar dos eventuais êxitos da selecção de todos nós. Na componente futebolística revejo-me nesta ‘equipa das quinas’ e em Scolari, que continua a ser o preferido.

Interessa-me, agora, falar do escândalo que gira à volta da Selecção, que permite que alguns empresários, os mais queridos, convivam no estágio da Selecção com os jogadores, com conhecimento da direcção da Federação. São, ao que dizem, uma presença frequente nos corredores do hotel. Com certeza que se aí vão não é por estarem preocupados com a saúde do jogador ou para lhes darem moral e força para serem no campo verdadeiros lusitanos. Se Viriato tivesse sido empresário de futebol o que lhes pedia era bravura, tenacidade e honra pelo País que representam. Mas esta não é a fase das virtudes. É o tempo do dinheiro.

Os estágios da Selecção têm servido para fazer negócios, com transferências milionárias de jogadores. A direcção da Federação é responsável por permitir este estado de coisas. Os exemplos de Ronaldo, de Quaresma e de Deco falam por si. Que adianta não deixarem os jogadores falar nas conferências de imprensa sobre as suas contratações para não afectar a capacidade de concentração se nos bastidores, por detrás de um qualquer postigo, permitem as negociações entre os empresários e os jogadores, com vista às transferências milionárias?

Durante o estágio fala-se mais de milhões do que da Selecção e do seu futebol. A Comunicação Social também tem responsabilidades porque num espírito do ‘salve-se quem puder’, ou ‘o último que feche a porta’, alimenta-se deste tráfico, indigno para as cores da bandeira portuguesa. Não digo que não se faça os negócios milionários, mas há um tempo para tudo. Mais do que proteger os jogadores do povo, que apenas os quer abraçar ou beijar, este é o tempo de os blindar contra os seus empresários. Se a direcção fecha os olhos a esta realidade, Scolari devia actuar. Só assim se assegura os superiores interesses da Selecção.

Falo disto porque a Selecção também é minha, também sofro com as suas derrotas. A Selecção, seja em que modalidade desportiva for, é um pedaço da nossa alma, mesmo para aqueles que só são adeptos do jogo de berlinde

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