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Correio da Manhã

Opinião
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15 de Julho de 2002 às 01:05
Infelizmente, esse não é o único caso em que Portugal ou os portugueses metem água a nível das instituições europeias. E é triste e surpreendente que assim seja.

Segundo me chegou aos ouvidos, num concurso recente para funcionários da Comissão Europeia aberto a todos os Estados-Membros, o número de candidatos portugueses foi bastante reduzido e esses poucos candidatos de bastante má qualidade. Isto é verdadeiramente surpreendente, visto o desnível dos nossos salários para os da CE.

Um outro exemplo. Há umas semanas atrás, no concurso “Jogo da Espera” da RTP1, conduzido por Júlia Pinheiro, não é que assistimos àquela coisa espantosa de uma pergunta trivial (quantos países aderiram desde o princípio ao euro) ter uma resposta oficial errada. A resposta certa é 11. Os concorrentes responderam 12 e a apresentadora disse que sim, que estava certo. Ninguém disse nada e os concorrentes em causa ganharam os pontos em vez de os terem perdido para os outros concorrentes. Não vi o programa até ao fim, não sei se o erro chegou a ser corrigido, mas no imediato ninguém tugiu nem mugiu. Espantoso.

A Grécia agora já faz parte do euro mas não fez parte inicialmente, porque não cumpria os critérios. Estava de fora, a par do Reino Unido, Suécia e Dinamarca que ainda não aderiram. O que espanta é que não só os concorrentes e a apresentadora mostrem uma tal falta de conhecimentos, mas que até a resposta oficial estivesse errada!

Um terceiro exemplo da nossa fragilidade sobre os assuntos de Bruxelas está no muito fraco peso que Portugal tem ao nível de influência política e postos de direcção. Não temos nenhum director-geral, o único de que dispúnhamos, Servinho Cavaco, é chefe de gabinete do Comissário António Vitorino e só recentemente temos um director-geral adjunto, tirado a ferros depois de longa espera.

Em suma, para um País pequeno que precisa de se expandir ao exterior, é surpreendente vermos a nossa ignorância e falta de interesse em nos batermos fora de casa, ao contrário do que fizeram os nossos emigrantes em décadas anteriores.
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