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Correio da Manhã

Opinião
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F. Falcão-Machado

Nova escrita

Talvez nem todos se tenham apercebido de um facto ocorrido no breve período durante o qual nos ocupámos dos festejos de Fim de Ano e que vai ter um grande impacto no espaço cultural e político da lusofonia. Efectivamente, desde o passado dia 1º de Janeiro que vigora no Brasil o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

F. Falcão-Machado 9 de Janeiro de 2009 às 00:30

Assinado em Lisboa, em 1990, pelos representantes dos países de língua oficial portuguesa, este Acordo viria a sofrer as vicissitudes de todos conhecidas, que foram atrasando a sua entrada em vigor. Sucederam-se dois Protocolos Modificativos, dos quais o segundo, assinado em 2004 em São Tomé e Príncipe, determinou que, em vez de se aguardar a ratificação por parte de todos os países signatários desse instrumento internacional, fosse suficiente, para que o mesmo entrasse em vigor, a confirmação de três países. Ora, como é sabido, foram quatro os países que o fizeram até à data: Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal.

O processo que agora desejavelmente se encerra é já longo. Foi em 1911 que se tentou uma primeira reforma ortográfica da língua portuguesa, que não logrou no entanto conseguir a adesão do Brasil. Em 1945 Portugal tentou de novo celebrar com o país-irmão uma Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, que também não teve melhor destino. Ensaiaram-se depois novos projectos de unificação ortográfica, em 1975 e em 1986, mas o consenso técnico só foi obtido no citado Acordo de 1990. Esperemos que o exemplo que o Brasil nos dá agora lance boa semente no campo da língua portuguesa.

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