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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Fevereiro de 2005 às 00:12
E os argumentos de “serenidade” e da “família” também não ajudam – são plásticos. Restam a teimosia infantil e a esperança cega para explicar o discurso de domingo, do qual – até por ter sido proferido logo após o de Paulo Portas – ficou sobretudo a cobardia. Um defeito que nem os adversários mais exigentes lhe podiam apontar. Agora já podem.
E isso pode ser determinante para alguém que, por mais que negue, sonha (ou sonhava) chegar a Presidente da República. Mas que terá hipotecado essa meta, nem tanto pela estrondosa derrota nas urnas – os vencedores também perdem –, antes pela imagem que deu ao País após a sua primeira grande desilusão política fora das paredes do PSD: alguém que tem dificuldades em libertar-se de si próprio e que, apesar da renúncia, se despede dizendo “Não tinha obrigação de me demitir, mas entendo que devo fazê-lo e que não devo recandidatar-me à liderança”.
Agora, tem de decidir se volta a S. Bento como deputado ou à Câmara de Lisboa como presidente. Mas, pelo que tem mostrado desde de domingo, terá dificuldade em resistir ao poder que o catapultou: o autárquico.
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