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Magalhães e Silva

O aparte

O aparte tem constituído, desde o século XIX, o sal e a pimenta dos debates parlamentares. Foi ele o responsável por Alexandre Herculano ter abandonado as Cortes, quando, sem queda para o improviso, começou a ler a sua intervenção, logo interrompida por um sonoro: "Larga a sebenta." Herculano não mais regressou, com o argumento de que "A casas de má nota, só à noite."

Magalhães e Silva 10 de Julho de 2009 às 00:30

Já próximo de nós, nos anos 80, Manuel da Costa, deputado do PS, distinguiu--se por, de vez em quando, pontuar as intervenções, sem deixar de desenhar, nem levantando a cabeça, com um pausado e tonitruante "Não te metas por aí!". Tudo saudável, entre adultos que se respeitam, e que não fazem dos debates parlamentares tempos de antena.

Infelizmente, a grosseria começou a substituir o humor; e, em resposta a apartes de bancada, o deputado do PSD José Eduardo Martins e o ministro Manuel Pinho permitiram-se, o primeiro, palavrões de carroceiro dirigidos a outro deputado, o segundo, um par de cornos, feitos ao estilo recreio da primeira adolescência.

Para que o debate parlamentar não seja mais monótono, é tempo de garantir a regra de ouro do aparte – vale tudo, menos ordinarice.

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