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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Privatizar a TAP e a Rede Eléctrica Nacional (REN), admitir a OPA sobre a Portugal Telecom, como foi anunciado ontem, quer dizer que este Governo acha que aquilo a que se costuma chamar sectores estratégicos nacionais até podem existir, mas não têm de estar na mão do Estado. O conceito de empresas públicas dá lugar a outro que se adivinha – o de empresas privadas com preocupações públicas.
Os tempos são o que são e Tony Blair está há nove anos no Governo em Inglaterra com bons resultados – económicos e eleitorais. José Sócrates é hoje mais um liberal com preocupações sociais do que um socialista com um fundo liberal. A concorrência da Nova Europa e a necessidade de o País dar um salto na produtividade – que também terá de ser cultural – levam o primeiro-ministro a ser cada vez mais reformista liberal. O País precisa de mais cultura de risco, o que só se consegue com outro ambiente na vida pública. Os passos que têm sido dados de desburocratização são bons e vão nesse sentido. Não se muda um povo em quatro anos, mas pode-se mudar um país. É esse o desafio que se impôs José Sócrates. Percebe-se o caminho, só falta saber se não entra em rota de colisão com o Partido Socialista...
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