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Correio da Manhã

Opinião
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27 de Setembro de 2008 às 00:00

Mau-feitio, autoritarismo ou insegurança de um treinador, que não tinha sequer a formação legal exigida quando se viu, de repente, treinador principal do Sporting? Muita gente põe hoje questões como estas, entre prós e contras de Paulo Bento, que tem tido a sorte de não ter visto qualquer desses conflitos rebentar-lhe nas mãos e que, graças ao que se chama 'uma boa imprensa', tem escapado incólume. Mas até onde este arrastar do caso Vukcevic pode enfraquecer as suas posições dogmáticas ('aqui é como eu quero') e a sua imagem? A formidável recepção dos adeptos do Sporting ao montenegrino, com o estádio de pé quando o treinador o mandou entrar na 2ª parte do último jogo, só pode significar que os sportinguistas ‘querem’ Vukcevic e não aprovam o seu afastamento, não explicado, da equipa. Na velha questão entre o chefe ‘banana’, na base das relações fáceis e do bom-rapazismo (Toni, Jesualdo, Peseiro) e o intratável autoritário (Csernai e talvez Co Adriaanse), que venha o Diabo e escolha… Ou que venha o Mourinho.

É que é uma questão mal definida a dos poderes dos treinadores. Serão eles ‘ilimitados’, como me questionava uma leitora, adepta confessa do Sporting mas achando que 'o caso ‘Vuk’ tem sido mal gerido'? Claro que não. E se, aparentemente, lhes são reconhecidos poderes ‘soberanos’ no âmbito das decisões técnico-tácticas da equipa, nas escolhas dos jogadores, etc., esses poderes são desde logo limitados pelos dos dirigentes dos clubes que os contratam, esses, sim, ilimitados. Todos sabemos, aliás, como é fácil, em Portugal, ‘correr’ com um treinador. Em suma, a desmedida mediatização deste caso, as pressões ‘externas’ (do empresário, do pai, de puxa-sacos como Derlei, etc.), só têm agravado uma situação que diria 'quase normal' no mundo do futebol de clubes dos nossos dias, como se viu ainda há pouco seja nos vizinhos do lado, no Sporting de Braga, no Real Madrid ou no Manchester.

Essencialmente, porque, ao contrário do que defende Paulo Bento nas suas considerações filosóficas, os jogadores de futebol (deste nível) são todos egoístas, julgam-se o centro do Universo e só pensam neles. Maradona dizia, há dias, desse génio que é o seu compatriota Lionel Messi que 'o Messi só joga para o Messi!'. É assim, não há ‘nós’, há só ‘eu’. Saber lidar com isso é um talento dos bons treinadores.

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