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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Setembro de 2003 às 00:30
Quando, após o primeiro jogo da Superliga, dissémos nestas páginas que José Mourinho não tinha razões para as dúvidas que manifestava em relação à capacidade da equipa digerir os êxitos passados, era já visível que nada tinha mudado nas mangas arregaçadas por Deco e companhia. Só a competição era necessária para estes jogadores atingirem o nível habitual.
Mas, à cautela, Mourinho resolveu espicaçar os craques com o chicote nas palavras. Apesar de, dentro de campo, não serem visíveis sinais de aburguesamento, o risco estava lá. Deco tinha visto goradas as hipóteses de grande transferência. E os outros permaneciam no mesmo clube, com a mesma equipa técnica - a voz de comando desgasta-se tanto mais, a longo prazo, quanto menos mudarem os ouvidos comandados. Não prescindiu Ferguson de Beckham e Veron? Mourinho perdeu apenas o jovem Postiga. Os métodos de treino não podem ser reinventados. As caras, situações, pares, repetem-se. Cumplicidades acentuam-se. O tédio pode instalar-se. Contra tudo isto Mourinho foi falando. Uma providência cautelar, sem justiça aparente, como aqui realçámos.
Quando o FC Porto matou o jogo na noite de ontem, os jogadores já tinham provado mais uma vez ao seu técnico que pode contar com todo o empenho individual e deve poupá-los à fúria dos adeptos em noite de derrota azeda. O FC Porto mostra todas as virtudes da época passada e uma nova faceta: está mais duro no meio-campo, quando não funciona a pressão alta. Para que Mourinho possa pendurar definitivamente o chicote, falta apenas que Deco junte à transpiração que vai mostrando, a inspiração que lhe tem fugido.
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