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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Junho de 2011 às 00:30

Estamos perante aqueles que nos irão investigar, acusar ou julgar, ou seja, aqueles que são fiéis depositários da justiça, e da sua aplicação. Aqueles que, em nome da lei, das boas práticas e regras, determinam se os nossos comportamentos com elas se conformam. Como pode alguém investigar, acusar ou julgar outro sem suficientes referências legais ou morais? A questão é óbvia e obviamente deveria ter sido resolvida; e não o foi.

Quando tal aconteceu, a sanção deveria ter sido célere, audível e irrepreensível, tal como a justiça o deve ser. E não foi. Em vez da imediata saída do CEJ de quem prevaricou, atribui-se-lhes a nota 10, ou seja, uma classificação que teoricamente é inibitória de ascensão à carreira da magistratura. Escolheu-se a via administrativa dissimulatória em vez de censória, exemplar e transparente. Como se pode pedir comportamento correcto e legal aos cidadãos quando se branqueia o correspondente aos futuros magistrados? Mas não está em causa apenas quem "copiou", mas também e pela razão já aduzida, quem não sancionou como devia, ou seja, a Direcção do CEJ. É dever moral do próximo Governo exercer essa sanção, sob pena de degradar o nome de uma instituição que precisa e deve ser altamente prestigiada.

Sou dos que reconhecem na generalidade das nossas magistraturas um nível de cumprimento, profissionalismo e capacidade moral e intelectual elevadas, e a tal ponto que não hesito em as considerar como uma parte da elite portuguesa. Não sendo elemento desse estrato, pretendo a sua dignificação, e, por isso, em nome dela, é imperativa uma actuação adequada. Não posso, por fim, ficar indiferente ao quási silêncio e à escassa indignação com que a opinião pública reagiu a toda essa questão. Esta representava uma violação por quem o não podia fazer. E o País pouco se preocupou com isso! A classe política também. É um sintoma de degenerescência dos valores e princípios que devem nortear a nossa vida e a dos nossos concidadãos. Quando não nos preocupamos suficientemente com isso, é sinal de que os tempos que vivemos são ainda mais difíceis do que o previsto.

É que se não sentimos justiça, desejarmos justiça e praticamos justiça, podemos um dia voltar a viver melhor. Mas viver melhor não é sinónimo de viver bem!

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