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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Julho de 2002 às 00:08
Não é preciso nomeá-lo porque toda a gente o conhece. É uma lenda, como o Robin dos Bosques ou o Rei Artur. Pena que só agora se tenha revelado. Teria sido uma preciosa ajuda de Soares na Alameda uns bons anitos atrás.

Ousado nas suas tardias convicções, não hesita um segundo em fazer seja o que for para defender a casa onde cresceu e ganhou cãs. Onde aplicou com rigor inabalável as regras da casa, que conhece de cor e salteado, a todos os prevaricadores. Onde, sempre com inabalável convicção, também, ajudou à limpeza da casa quando algum parente mais ousado começava a arrebitar cachimbo. No seu vigor faz lembrar os comunistas de 74 que estavam dispostos a destruir tudo para depois, sobre os escombros, iniciar a construção do seu mundo "novo".

Na sua casa reina uma paz podre que o desanima. Não fossem meia dúzia de iluminados reciclados do Estalinismo (que hoje abominam), não se falaria deles nos anos mais próximos. São a esperança dos comunistas democratas (espécie que seguramente se sabe existir) e de todos os que não têm a coragem de assumir o seu passado nem lata para, pura e simplesmente, abandonar a casa paterna. Dos que obrigam os pais a empurrá-los pela escada abaixo, para poderem continuar a vitimizar-se. Tornam o nosso dia-a-dia menos monótono.

O nosso De Gaulle não está só. Tem dois ou três lugares-tenentes, todos eles convictos e incansáveis também. É uma das poucas delícias que nos restam neste jardim de horrores em que se tornou a nossa política, ouvi-los falar de intolerância, agressividade, debate ideológico, movimento operário e de trabalhadores. E ainda há quem não acredite em milagres!

Durante anos as regras da casa escorriam-lhes pelos lábios como baba peçonhenta. Hoje não sabem o que isso é. Clamam por justiça. Pedem que lhes valha o nº 10 do art.32º da Constituição. Mas talvez nem a Justiça Divina lhes valha.

Veremos se, dado o seu sincero arrependimento, terão direito a extrema-unção.
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