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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Janeiro de 2011 às 00:30

Os tempos que vivemos são mesmo excepcionais. São tempos de grave crise financeira, económica e social. Mas também de invulgar degradação política. De certa forma, o país também vive uma crise política. Uma crise de credibilidade e de confiança, de autoridade e de representação política. Uma crise mais séria e profunda do que se pensa, porque mina a qualidade da democracia, os alicerces do regime e a relação dos cidadãos com as instituições do seu país.

Mudadas radicalmente as circunstâncias da acção política, é natural que também mude o paradigma da intervenção presidencial. Neste quadro, é inevitável, para além de desejável, que Cavaco Silva, sendo reeleito, seja mais activo e interventivo na vida nacional. Não é o candidato que precisa ou que deseja mais intervenção. O país é que deseja e precisa que o seu Presidente intervenha mais.

É isto o que Cavaco Silva tem vindo a sinalizar. Primeiro, com a ideia que lançou de uma magistratura presidencial activa. Depois, com as suas intervenções ao longo da campanha, as únicas que falam do país e para o país. Finalmente, com o apelo a uma legitimidade politicamente reforçada.

Não se trata de rever os poderes presidenciais ou de mudar a natureza do regime. Trata-se antes de perceber o sentimento popular, as exigências do país, as responsabilidades dos tempos que atravessamos.

Na fase difícil que vivemos, os portugueses querem que o Presidente, pela sua especial legitimidade e autoridade, tenha uma intervenção mais firme e activa. As exigências do país requerem que ele seja mais interventivo a apontar uma linha de rumo. Ele, por sua vez, já assumiu a pertinência de um novo e maior protagonismo. Afinal, tempos excepcionais exigem mesmo atitudes excepcionais.

Um mandato é sempre um mandato e as suas circunstâncias. Circunstâncias diferentes obrigam a um mandato presidencial diferente. Mais exigente e interventivo. É isso o que o futuro nos reserva e o que o Presidente nos oferece. E é disso também que o país precisa. Daí a importância desta eleição. Uma eleição que pode significar uma importante mudança de ciclo.

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