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Correio da Manhã

Opinião
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15 de Maio de 2004 às 00:00
Durão Barroso, às portas de mais um congresso do PSD, é justificadamente um líder incontestado.
A passagem da oposição ao governo transformou um político titubeante num governante com mérito. Não há nenhuma semelhança entre Durão Barroso líder da oposição e Durão Barroso líder do governo. Ousaria dizer que ele é talvez a única figura do governo e do partido que não se deixou submergir pelas ondas de crise que passaram pelo território do continente. E é por isso que Durão é um caso isolado. É mesmo um líder isolado. No seio do PSD, é ele quem assume com autoridade uma linha de rumo. No seio do governo é ele que apaga todos os fogos. O PSD é Durão Barroso.
No início do mandato havia pelo menos mais um nome – Pedro Santana Lopes. Mas incompreensivelmente, o talentoso Pedro Santana Lopes, enredou-se numa teia com uma hipotética candidatura às eleições presidenciais que acabou por deixá-lo numa posição desacreditada, com Durão Barroso a dizer que prefere Cavaco em Belém.
Pedro Santana Lopes que foi sempre visto como uma alternativa a Durão Barroso desbaratou uma boa parte do seu capital político nesta candidatura sem forma nem conteúdo. Com isto prejudicou a sua acção na Câmara Municipal de Lisboa. Também aí, à conta destes desvios, perdeu pontos e obviamente reduziu o seu espaço de manobra no seio do partido.
Durão Barroso é assim um homem só. Ninguém lhe disputará o lugar porque perderá estrondosamente. Mas Durão não tem a vida facilitada. A economia entrou em depressão, muito por causa do discurso arrasador dos governantes do PSD. A economia não dá sinais de vitalidade. Os dados macroeconómicos não melhoram. A ideia peregrina de baixar os impostos numa economia exangue é apenas uma jogada de desespero que já mereceu a discordância do Banco de Portugal.
As disfunções discursivas com o ministro da Administração Interna, acerca da permanência das tropas da GNR no Iraque, são sinal de um governo dessintonizado. A operação ‘Apito Dourado’ que envolveu nas suas malhas altos dirigentes do PSD, não podem deixar Durão dormir descansado. As sondagens permanentemente desfavoráveis para o PSD, coisa nunca vista num governo com dois anos de vida, não ajudam nada.
O silêncio de todos os governantes que não tendo dinheiro para cumprir os seus planos optaram por não dar nas vistas transformou-se numa espécie de muro incompreensível para os cidadãos. Há ministros que não querem sequer que se saiba que são ministros.
Durão Barroso vive tempos difíceis. Acorre a todas as tempestades, mas não é um super-homem. Ele tem-se agigantado. Ele tem espadeirado em todas as direcções. Mas a história diz que a enorme empresa de levar Portugal aos caminhos do desenvolvimento não pode ser feita por um só homem.
Um dia destes, se nada mudar, ele pode baquear. E se isso acontecer não se vislumbra nada nem ninguém na linha do horizonte. Durão está num deserto.
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