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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

O diamante angolano

Se alguém tivesse dúvidas da importância que Angola tem hoje para Portugal, bastava estar atento aos directos que as televisões ontem dedicaram ao tema.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 11 de Março de 2009 às 00:30

Minutos infindáveis no ar com nada para dizer, minutos intermináveis apenas para mostrar cerimónias protocolares, bacalhauzadas em nome da lusofonia e umas palavrinhas de circunstância a favor da cooperação. Portugal está embasbacado com o regime angolano.

O primeiro dia da visita de José Eduardo dos Santos teve apenas um objectivo: mostrar-nos simbolicamente a importância que Angola tem hoje para Portugal. Chegou a hora de o velho mas sempre brilhante diamante angolano luzir aos nossos olhos, não apenas pelas tradicionais relações afectivas entre dois povos e dois países de destinos cruzados até à eternidade, mas pela necessidade recíproca das duas economias. E, aí, não tenhamos ilusões: a nossa dependência é muito maior do que a angolana.

Em tempos de crise tão agreste, basta olhar para o brilhozinho nos olhos de empresários, gestores e governantes de cada vez que se fala num ‘negócio angolano’. Angola é a terra prometida que muitos vêem para se salvar. Esperemos, porém, que essa predisposição para o negócio não nos leve a vender a alma. Ainda há valores que não devem ceder ao brilho dos diamantes ou do ouro negro.

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