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Correio da Manhã

Opinião
31 de Maio de 2011 às 00:30

Grande parte da opinião pública ouve falar da troika, das dificuldades que temos e teremos, do fim de um modelo económico.

Sabe que vamos sofrer, empobrecer, mas não sabe o caminho para sobreviver. Explicá-lo é a primeira condição para ultrapassarmos o presente. Sabemos ainda por que chegámos a este ponto: demasiados gastos com o nosso Estado, ineficácia da acção administrativa, burocracia paralisante e inútil.

Mas não é só aos poderes públicos que temos de recorrer para explicar os nossos males. Os cidadãos, as empresas, o sistema bancário, a sociedade em geral, teve um elevado quinhão de responsabilidade. Os cidadãos gastam demais, não poupam, começaram a usufruir de uma riqueza que não tinham e antes do tempo. As empresas investiram mal em muitas circunstâncias, não procuraram novos mercados, não inovaram, não investigaram. Os seus proprietários viveram de empréstimos da banca e não do seu capital, e demasiadas vezes preferiram ostentar uma riqueza que devia ser aplicada produtivamente. O sistema bancário incentivou o consumo das pessoas, de um modo para além do que elas alguma vez o poderiam fazer. Nesta campanha, pouco ou nada se falou dos problemas e das soluções. Talvez o debate comece no dia 6 de Junho, e é necessário que ele se processe. É indispensável que o governo defina incentivos, estabeleça nova regras, reduza custos administrativos, facilite licenciamentos, confie nos cidadãos, em vez de permanentemente os considerar como potenciais prevaricadores. É indispensável que oriente, em conjunto com o tecido empresarial, as universidades e o sistema de investigação, caminhos para o futuro, áreas prioritárias de investimento, apoios à internacionalização, domínios mais relevantes para a educação superior, necessidades a longo prazo de quadros e pessoal especializado em várias actividades. Mas se apenas se confiar no Estado o nosso futuro será sempre limitado e porventura sombrio. Temos de ser nós, cada um de nós, a ser mais responsáveis pelo que fazemos ou não fazemos, pela preparação adequada do nosso futuro, pelo nosso desempenho profissional, pelos resultados que obtemos. O discurso político do vencedor não deve ser o da alegria da vitória, mas o de preparar e consciencializar o País, ou seja, os cidadãos, para o nosso futuro colectivo. Se os tempos que vivemos são difíceis, o discurso político não deve ser de felicidade ou de encobrimento da realidade. O nosso futuro obriga-nos a ser mais responsáveis e preparados para a vida moderna. Ai de nós se não percebermos isso.

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