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Correio da Manhã

Opinião
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18 de Julho de 2012 às 01:00

Criaram-se novas universidades, a rede escolar proliferou em balanço difícil entre quantidade e qualidade, Guterres declarou a paixão pela educação e apostou no pré-escolar, Mariano Gago triplicou o peso da investigação científica no PIB e Sócrates arriscou o seu voluntarismo com a escola a tempo inteiro, novas creches e as Novas Oportunidades para os que ficaram na beira da estrada do sucesso.

Avaliação permanente, rigor e reconhecimento pela qualidade são decisivos para que o investimento valha a pena e para despistar erros. A análise PISA da OCDE, os indicadores de publicações científicas e o progresso do índice de desenvolvimento humano da ONU são medalhas de uma maratona com resultados a longo prazo.

O ensino superior privado, onde muitas famílias enterraram poupanças e muitos queimaram esforçadas pestanas, tem sido a ovelha negra da democratização do ensino, com a imagem de favores suspeitos e formação de aviário entre as velhas batalhas campais da Livre e as misérias recentes da Moderna, da Independente e agora da Lusófona. Relvas é o esplendor do chico-espertismo que faz a vida por atalhos, acha que o padrão de sucesso é o das eleições internas das jotas e que a ameaça com cheiro a poder cala tudo.

É paradoxal que a desgraça pública não resulte de nada politicamente sério mas do devaneio provinciano de ser tratado por doutor como requisito para ser Ministro. Percebe-se o incómodo envergonhado de Crato, Gaspar ou Miguel Macedo, que não fizeram as licenciaturas em menos de cinco anos. Todos sabem, de Marcelo aos gurus da Nova, que nunca houve PREC que desse borlas destas nas escolas em que ordenam. Mas o mais grave é que em tempo de emergência não voltará a ser possível falar de rigor, exigência e sacrifícios enquanto Passos viver sob a suspeita de ser a face séria do espírito do doutor acidental.

Opinião segundo as regras do Acordo Ortográfico

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