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Correio da Manhã

Opinião
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24 de Janeiro de 2010 às 18:00

Qualquer um dos actuais formatos, se estivesse no ar na SIC ou na TVI, custaria bem menos dinheiro, acreditem... Uma das razões é que nas privadas não se brinca com as audiências, mas a principal é o bolso sem fundo, ou quase, do orçamento de grelha da RTP 1. É, no mínimo, frustrante gastar dinheiro em produtos de prime-time supostamente para a família e ter estes shares médios (valores 2009): ‘Dança Comigo no Gelo’ com 21,4% ao sábado, ‘Família Família’ com 19,9% à sexta-feira e ‘Último Passageiro’ com 12,1% ao domingo. Valores (médios relembro) muito distantes da média diária da RTP 1 de Outubro a Dezembro 2009 que foi de 24,5%, sendo estes os meses de transmissão dos referidos programas. Para já, em 2010, a coisa não está melhor. ‘Família Família’ desceu para uma média de 16,7% e ‘Último Passageiro’ foi relegado para a tarde de domingo e nem nesse horário, bem menos competitivo, consegue superar os 19,7% de média de share. Todas estas apostas de entretenimento são autênticos fracassos na televisão do Estado que nada ajudam o horário nobre em grande carência de bons resultados. E a ironia está exactamente aí. A RTP 1 faz resultados tão positivos durante o resto do dia que uma ligeira subida no prime-time faria "milagres" com as suas médias diárias. O seu grande objectivo deste ano é mesmo esse.

MEMÓRIA: NEM SEMPRE FOI ASSIM NA RTP

Bem recentemente, em 2008, ‘Dança Comigo’ fazia 25,9% de share em média. As médias de 2007 mostravam o ‘Gato Fedorento’ com 32,6%, ‘Dança Comigo’ com 28,9% e ‘Aqui Há Talento’ com 28,6%. Tudo programas de prime-time e todos com médias superiores à média do canal. Em 2006 aconteceu o mesmo com o ‘Gato Fedorento’ com 26,8% e ‘Dança Comigo’ com 30,6% de médias. Todos estes resultados superiores à média do canal.

TENDÊNCIA: SOLUÇÃO PARA FUTURO IMEDIATO

Os grandes formatos de entretenimento parecem ser de difícil implantação na RTP 1. Vai ser muito complicado arriscar um novo formato que possa, de facto, ajudar o horário nobre em 2010. Pessoalmente diria que aposta deve ser noutra área. Um grande programa de humor poderá ser a solução, desde que seja generalista, com figuras bem conhecidas do público e abordando temas actuais. É uma pista… não é mais do que isso.

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