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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Novembro de 2003 às 00:00
Luís Filipe Vieira foi eleito presidente do Benfica na madrugada de domingo com mais de 90 por cento dos votos expressos. Já era presidente da Sociedade Anónima Desportiva, como se sabe. O duplo chapéu não teve boa estreia, porque na “première” do novo estádio do Clube na SuperLiga, o Benfica, SAD perdeu com o Beira-Mar (1-2). Na campanha eleitoral, Vieira falou o menos possível e disse o menos que pôde. Os benfiquistas confiaram mais no passado do que no futuro a curto prazo, na obra cimentada do que na obra pensada.
Vieira é agora ‘rei’ do Benfica, porque já não tem de dividir o poder com ninguém. A sua vontade é soberana para tudo. E tem que descobrir o caminho para tornar esta equipa menos dependente das acelerações e dos livres de Simão Sabrosa, que tem sido a única fonte de jogo verdadeira. Porque Geovanni ainda não convenceu, Nuno Gomes ainda procura a forma, Roger não muda a fisionomia da equipa e a defesa está longe de ser um cofre forte. E o Benfica de Camacho tem tido um problema sobretudo nos jogos em casa, coisa que parece não se ter resolvido com o efeito do novo estádio: fora da Luz a equipa joga melhor. É preciso que a ‘Catedral’ se torne mesmo inexpugnável, como de antanho. Com o duplo chapéu de presidente da SAD e do clube, Luís Filipe Vieira tem ainda outro problema: como o treinador José Antonio Camacho é indiscutível, até para o próprio presidente, se alguma coisa correr muito mal, a contestação vai directamente ao topo. Ao próprio Luís Filipe Vieira, como é evidente, porque não há outro alvo possível.
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