Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
1
16 de Setembro de 2003 às 00:00
O ego de Manuel Cajuda deve estar de boa saúde e há razões para isso. O Marítimo lidera isolado a SuperLiga com 100% de aproveitamento e com a particularidade de não ter sofrido qualquer golo. Associado a este notável início de temporada surge Cajuda, um treinador que tem mostrado competência, resultados e bastante prosápia ao serviço de clubes médios. Falta a chamada "prova dos nove" – treinar um grande – para se perceber quais são realmente os seus limites.
Na época passada, Cajuda igualou a melhor classificação de sempre da U. Leiria e conduziu a equipa à final da Taça de Portugal, perdendo-a para o Porto (0-1) sem brilho nem glória. Correndo o risco de estar a ser injusto, parece-me que esta falta de ambição em momentos solenes é uma constante na carreira do técnico, que até tem uma louvável preocupação pela vertente estética do futebol – as equipas de Cajuda normalmente jogam futebol apoiado e bonito, seja em 4-4-2 ou no 4-2-3-1. Ele tem ‘métier’ e bom senso quando se trata de programar um plantel médio, assim como não lhe falta capacidade para efabular antes e depois dos jogos.
A prova dos nove virá quando empatar ou perder pela primeira vez. Aí se verá se o ‘enfant terrible’ está mais sereno e maduro, como convém a um homem que sempre aspirou voar mais alto.
Ver comentários