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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Outubro de 2006 às 00:00
Simbolicamente, bastava a poupança de um cêntimo na despesa prevista no Orçamento para o próximo ano. O que acontece é exactamente o contrário: um aumento de 1,8 mil milhões nos gastos, que o ministro disfarça com linguagem macroeconómica. Um embuste.
Percentualmente, a despesa do Estado vai realmente baixar comparativamente à riqueza produzida pelo País, que é maior. Mas se um obeso tiver passado de 120 para 150 quilos e passado a consumir 1700 em vez de 1500 calorias, também se pode gabar de, feitas as contas em percentagem, estar menos guloso. Mas para quem o sustenta, a verdade é que come cada vez mais. É este o Estado que temos: um comilão gordo e insaciável, que nem tem coragem de assumir os vícios e prefere torturar os números para ficar bem no retrato.
Depois de andar meses a falar em cortes reais na despesa, pedindo solidariedade e compreensão aos contribuintes, o Governo assobiou para o lado na altura de pôr os números no papel e manteve uma dieta de luxo. E recorreu, claro, ao método de sempre para se alimentar. A carga fiscal vai bater recordes no próximo ano: mais taxas na saúde, mais impostos sobre combustíveis, tabaco e álcool, mais IRS, mais IRC.
Se a isto se juntar a conta da luz, que vai aumentar 15,7%, percebe-se como é que o Governo vai cumprir a meta dos 2,1% da inflação. Conta mais uma vez com os contribuintes: sem dinheiro no bolso, não haverá quem consuma.
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