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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Março de 2006 às 00:00
Mas ambas não passam de equívocos. Reduzir a reforma de De Villepin aos despedimentos é demagogia, idêntica à que – pela mão esquerda de François Miterrand e a direita de Jacques Chirac – conduziu a França até às dificuldades actuais. O único erro de De Villepin será o de ceder à pressão, porque ao fazê-lo juntar-se-á aos coveiros que têm enterrado a competitividade da França. E em nada minimizará a derrota (certa) contra Nicolas Sarkozy na corrida ao Eliseu.
O segundo equívoco são as comparações com o Maio de 68. Nesse tempo, denunciava-se o capitalismo liberal, reclamava-se a revolução sexual e mais liberdades; os inimigos eram De Gaulle e a CGT, sindicato comunista. Hoje, os estudantes limitam-se a pedir um emprego estável ao Estado, vivem em casa dos pais até aos 30 anos e apostam na CGT para vencer Chirac e De Villepin. Semelhanças? Só o nome das ruas das manifestações.
Por cá, o Governo avança em sentido contrário ao vedar o subsídio de desemprego aos trabalhadores indemnizados pelas empresas. A medida impõe-se, para evitar que os patrões continuem a usar o Estado como co-pagador das suas restruturações. Mas só será positiva se salvaguardar que as empresas não ficarão ainda mais vulneráveis a trabalhadores inaptos ou preguiçosos.
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