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Correio da Manhã

Opinião
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13 de Maio de 2003 às 00:00
Se há uma década era difícil brilhar no futebol aos 32 anos, hoje é ainda mais complicado. É difícil, mas não impossível. E desenganem-se os que pensarem que é mais difícil a Figo, Ronaldo ou Raúl serem decisivos na final da Liga dos Campeões – mesmo aos 32 anos –, do que a Margarido fazer o que fez domingo na Póvoa: no primeiro golo efectuou o centro para Paulo Vida marcar; no segundo isolou-se e cruzou contra um adversário, que tocou a bola com o braço na área – do penálti resultou o 2-1; e como não há duas sem três, foi nos seus pés que nasceu o terceiro golo do Varzim. A síntese parece-me mais do que suficiente para eleger Margarido a figura da jornada, ainda para mais tratando-se de um jogo determinante para a manutenção da sua equipa. No entanto, em três cronistas desportivos, dois deram boa nota a Margarido, mas não resistiram à comum tentação de destacar quem marca – neste caso Paulo Vida, que juntou dois golos a uma também boa exibição. É verdade que o futebol são os golos, mas em 99 por cento das vezes (ou até mais) eles só acontecem porque alguém inventa, insiste ou resiste, de forma a fazer aquele passe, letal. A preferência por quem marca é quase unânime: são eles os maiores ídolos dos adeptos e a prioridade de dirigentes e treinadores, que, pouco rigorosos na escolha de pontas-de-lança, castram o nascimento de avançados em Portugal. É esta a mentalidade que é preciso mudar a bem do futebol nacional, porque com avaliações mais equilibradas, sobretudo de dirigentes e treinadores, é possível favorecer o aparecimento de mais Postigas, sem prejudicar o crescimento de Tiagos, Cristianos Ronaldos ou Quaresmas.
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