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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Abril de 2010 às 00:30

O século XVIII dava para isso e para o seu contrário. Neste século, o PR Cavaco Silva resolveu acompanhar o Papa Bento XVI em todos os actos, públicos e pastorais, durante a visita deste a Portugal. É uma atitude exagerada a mais de um título. Mesmo do de Fidelíssimo.

Em primeiro lugar, a República Portuguesa é laica e nela vigora a separação entre a Igreja e o Estado. Quanto ao facto de a sociedade portuguesa ser católica maioritariamente, trata-se de uma meia verdade. Basta ver a Mesquita e a Sinagoga (mesmo "sem forma exterior de templo", como obrigava a Carta de 1826) para se perceber que a sociedade civil faz milagres nesse domínio. Isto para não falar de agnósticos e ateus, minorias mais ou menos silenciosas.

Em segundo lugar, o constante acompanhamento do Papa, sobretudo nas três missas, peca pela desmedida. Todo o cortês é comedido, reza o preceito. Bento XVI tem todo o direito de se encontrar com os seus fiéis sem a presença do Estado.

Cavaco Silva pode até mostrar as suas convicções religiosas em algum acto particular. Mas deve acautelar-se dos prosélitos constantinos, para que não pareça que o PR português é de ‘obediência’ católica. Bento XVI não lhe pede tanto.

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