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Correio da Manhã

Opinião
12 de Dezembro de 2004 às 00:00
A RTP volta hoje, manhã cedo, ao seu terreno mais favorável: o relvado. Em Tóquio, no distante Japão, a televisão pública cumpre a obrigação de mostrar aos portugueses as emoções da final da Taça Intercontinental, entre o FC Porto e os colombianos do Once Caldas. Este é, digamos, um jogo obrigatório, que a RTP tinha mesmo de transmitir – ainda que a hora do desafio (10 da manhã, em Portugal) não seja, de todo, a mais favorável às aspirações (leia-se audiências) de uma estação que, pontualmente, não resiste à tentação de competir com as privadas usando armas que, bem vistas as coisas, não lhe ficam lá muito bem... (mas essa análise, a produtos como, por exemplo, o ‘Soccastars’ fica para uma próxima e mais adequada oportunidade). Adiante.
O futebol existe, deve ser mostrado e a RTP tem, neste particular, a responsabilidade de continuar a servir os seus telespectadores com os mais importantes jogos – o que não era, nem por sombras, o Fulham-Chelsea, da Carling Cup, que vimos há dias, em diferido e a horas impróprias. Enfim, bem pode dizer-se que nem a RTP resistiu à ‘Mourinhomania’… Adiante, novamente. Para ver este FC Porto-Once Caldas, sim, vai merecer (mereceu mesmo?) a pena levantar cedo da cama.
Os ‘dragões’ vêm de uma excelente, fantástica vitória frente ao Chelsea e, obviamente, a maior parte dos seus jogadores sabem que têm aqui uma oportunidade única para conquistar um troféu que oficiosamente premeia a melhor equipa do Mundo. Se a tudo isto acrescentarmos essa reconfortante certeza que é não termos de ouvir os comentários do Paulo Catarro, diga lá que não estão reunidas todas as condições para se assistir a um excelente jogo de futebol na televisão? O entrevistador oficial de Jorge Nuno Pinto da Costa, que sempre lhe fez as perguntas mais delico-doces de que há memória na televisão portuguesa, decidiu deixar, felizmente, a televisão pública. Mas, atenção, isto é uma boa notícia que tem um lado mau: ele pode voltar. Um dia destes, quando todos tivermos distraídos e ninguém der por isso. Talvez lá para o final de Fevereiro, quem sabe… É um péssimo apresentador e não existe como repórter (de resto, talvez lhe tivesse feito bem ao físico levantar-se mais vezes da secretária nos últimos anos). Mas vários directores da RTP, vá lá saber-se porquê, nunca conseguiram perceber que Paulo Catarro não nasceu para isto. Ou, se calhar, perceberam, mas não puderam fazer nada…
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