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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Março de 2007 às 00:00
Como se Portugal e os seus políticos fossem um exemplo nesse aspecto. Mas não é isso que me traz aqui. Há uma questão mais funda para lá da espuma de saber quem vai ser líder do CDS ou do PSD. É a do futuro da direita, ou mais exactamente das ideias de direita, que hoje são, em boa parte da Europa, um terreno vazio. As figuras que emergem desse lado do espectro político europeu – nos Estados Unidos a coisa é diferente – de Angela Merkel na Alemanha a Nicolas Sarkozy em França têm mais ou menos liderança, mas estão centradas na economia, que hoje é um terreno que não separa águas.
Já David Cameron, líder dos conservadores ingleses, tem algumas ideias novas e práticas diferentes. Para já nem tudo faz completamente sentido, mas percebe as drogas como um mundo que não basta reprimir, incluiu homossexuais assumidos no seu círculo de dirigentes, preocupa-se com os problemas da emigração de um ponto de vista europeu, procura, no fundo, fundar uma direita mais social, menos religiosa na inspiração mas com respostas que acabam por ter uma matriz reconhecível. Em Portugal, a derrota no referendo ao aborto marcou um ponto de viragem para a direita. Se Portas percebeu que há que encontrar respostas novas, é bom que regresse a um combate do qual não se devia ter afastado.
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