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Correio da Manhã

Opinião
18 de Julho de 2004 às 00:00
Santana Lopes, Paulo Portas, Morais Sarmento, José Luís Arnaut, Nobre Guedes, Telmo Correia… Políticos. Sobretudo, políticos. Os dois partidos, PSD e PP, convergiram na análise do presente e do futuro e o Governo mostra ao que vem: gente próxima, solidária, em alguns casos amiga e vocacionada para as opções de carácter político. Este não é o tempo da tecnocracia, nem se esperaria que fosse com um primeiro-ministro como Santana Lopes.
A partir daqui, cada um vê o que quer.
Os desconfiados das capacidades de Santana Lopes, e são inegavelmente muitos, descortinam já o pior. Anunciam-nos o lobismo mais elementar, apontam a demagogia como prática constante para os próximos dois anos e o populismo como o novo perigo da Pátria. Santana e Portas juntos, garantem, serão fatais para a Nação.
Santana Lopes cultivou durante quase 20 anos a capacidade de não deixar ninguém indiferente e algumas responsabilidades há-de ter nesta imagem generalizada que projectou no País e lhe vale a desconfiança de muitos compatriotas que não apenas os militantes da oposição ao Governo PSD/PP.
Não se deve, contudo, produzir juízos de valor antes de tempo.
Um Governo é coisa demasiado séria para a vida colectiva. É justo avaliar as pessoas pelo desempenho que tiverem no exercício das funções – e isso só se pode fazer a partir de agora. Em 2006, para além das insuportáveis hordas que se digladiam no apoio e na contestação, os portugueses saberão avaliar da qualidade da governação que entretanto formos tendo.
Ainda assim, atrevo-me a algumas reflexões telegráficas: o Governo tem a maior concentração de políticos desde o 25 de Abril (exceptuando os executivos provisórios); parece ser uma equipa bem negociada (entre interesses vários, partidários e económicos); inclui algumas esperanças, a maior das quais António Mexia; traz para a primeira linha ilustres desconhecidos (Maria do Carmo da Costa Seabra na Educação); resolve bem as pastas económicas (Álvaro Barreto) e financeiras (Bagão Félix pode revelar-se um achado); introduz novidades a ter em conta, como a individualização do Turismo; faz apostas interessantes mas de risco (Fernando Negrão na Segurança Social e Daniel Sanches na Administração Interna); coloca dois amigos de Santana Lopes em pastas de confiança (Gomes da Silva e Henrique Chaves); causa a surpresa de manter Luís Filipe Pereira na Saúde; satisfaz algumas vozes críticas (José de Aguiar Branco deve agradar a José Miguel Júdice) e remete as (três) mulheres, agora em menor número, para as pastas ligadas à Educação e à Cultura.
Este não é um Governo de inquestionáveis figuras de primeiro plano nacional, mas na política nunca há ‘dream teams’ e o executivo, em teoria e feitas as contas, pelo menos não dá crédito à catástrofe anunciada pela oposição.
Santana Lopes geriu bem a comunicação durante o período de convites para o Governo. Não se expôs pessoalmente nas abordagens de risco (António Borges, o novo D. Sebastião da economia) e soube dar as notícias em primeira mão a Jorge Sampaio que, na cerimónia de posse, voltou a justificar-se. Sem necessidade.
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