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Correio da Manhã

Opinião
15 de Abril de 2011 às 00:30

Em vésperas de eleições, o PSD está em vias de se transformar no principal aliado do eng. Sócrates. Com o país à beira da bancarrota, o FMI instalado num hotel de Lisboa e a Europa a tratar-nos como se fôssemos um manicómio dirigido por loucos, o dr. Passos Coelho decidiu ofuscar a dura realidade em que vivemos, com uma vasta gama de piruetas e de contradições que tem o condão de animar a pré-campanha e de revelar os dotes estratégicos da trupe que lidera o partido. Onde os portugueses precisavam de ver uma alternativa, surge-lhes, em seu lugar, uma balbúrdia inconsequente onde não se vislumbra uma única proposta – tirando obviamente as que, como o aumento do IVA, foram avançadas para, de imediato, poderem ser desmentidas.

Entre os pedidos de ajudas intercalares, que Bruxelas recusa, e o programa de governo que era para ser anunciado em Maio, uma luminária qualquer do partido decidiu repescar o nome de Fernando Nobre das cinzas das eleições presidenciais e apresentá-lo como candidato do PSD por Lisboa e, de caminho, para a presidência da Assembleia da República. Se a ideia, como foi dito, era ofuscar o Congresso do PS, com uma novidade arrasadora, há que admitir que o objectivo superou todas as expectativas. O episódio – que agora alguns tentam desesperadamente desvalorizar – mostrou que o PSD é capaz de tudo para ganhar meia dúzia de votos: até convidar para as suas listas um populista incoerente que já disse tudo e o seu contrário e que, ainda há poucas semanas, garantia que nunca se associaria a nenhum partido. Para ajudar à festa, o candidato Nobre já fez saber que só tinha aceite o convite com a condição de ser presidente da Assembleia da República e que se esse radioso cenário não se confirmar ele tirará daí as "devidas consequências" já que a sua ilustre figura não se presta ao papel de ser apenas um "mero" deputado. Como se isto não bastasse, no dia seguinte, ficou-se a saber que o "breve telefonema" que o eng. Sócrates fez ao dr. Passos Coelho a informá-lo do PEC IV deu azo, ao contrário do que o PSD sempre disse, a um encontro de várias horas entre o primeiro-ministro e o líder do principal partido da oposição. Uma mentira inconsequente? Não, por muito que custe, é uma mentira que arrasa todo o discurso do PSD sobre o chumbo do PEC e a necessidade de eleições. Depois disto, só falta saber para que "altas funções" foi convidado o dr. Luís Filipe Menezes. E, já agora, as propostas – as tais que este PSD tanto exigiu à dra. Ferreira Leite.

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